Cidades
Publicado em 10/06/2026, às 08h33 Malu Machado
Uma reportagem publicada pelo portal Intercept Brasil trouxe novamente ao centro do debate nacional o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade, que está sob os refletores por sua ligação com a produção do documentário “Dark Horse” e com investigações envolvendo recursos públicos, carrega um histórico de irregularidades no Rio Grande do Norte.
Uma ampla auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou sobrepreços, superfaturamento e falhas graves na aplicação de verbas destinadas a eventos no interior potiguar.
Os apontamentos estão detalhados no Relatório de Auditoria nº 996973, emitido pela Controladoria Regional da União no RN. O documento fez parte de uma força-tarefa nacional da CGU para fiscalizar os patrocínios concedidos pelo Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), cujos dados foram consolidados no Relatório de Avaliação nº 1178459.
A fiscalização foi realizada sobre contratos executados entre 2017 e 2018. No Rio Grande do Norte, os auditores passaram um pente fino em três projetos realizados pelo ICB em 2018: o 3º SESI Futuro - Redescobrindo o Brasil (em Mossoró), além da 8ª e 10ª edições da Feira da Cidadania, que percorreram municípios do interior. Juntos, os três eventos abocanharam R$ 2,3 milhões do SESI Nacional.
Segundo os técnicos da CGU, as fraudes iam desde a aprovação das propostas até a prestação de contas. Somados, os valores inflados ilegalmente ultrapassam R$ 1,47 milhão apenas em solo potiguar, sem contar as divergências fiscais e contábeis que somaram outros R$ 70.594,87.
Além do rombo financeiro, o relatório da CGU expôs como o esquema funcionava. Os auditores identificaram uma série de condutas administrativas suspeitas por parte do SESI Nacional, tais como:
No caso do evento em Mossoró (3º SESI Futuro), a auditoria concluiu que a falta de controle abriu caminho para o desvio e a má aplicação do dinheiro público. A fiscalização do SESI se limitava a olhar papéis enviados pela própria ONG, sem fiscalizar o que de fato acontecia nas ruas.
Diante do rastro de notas fiscais inconsistentes, a CGU recomendou formalmente que o SESI Nacional adote medidas jurídicas para cobrar o ressarcimento integral dos valores apontados como irregulares e instaure procedimentos para apurar a responsabilidade dos agentes que carimbaram as aprovações.
Apesar de os desvios no RN terem ocorrido em 2018, as descobertas ganharam forte relevância agora, após as revelações da série de reportagens Vaza Flávio, do Intercept Brasil. Os documentos comprovam que o Instituto Conhecer Brasil - de propriedade de Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro - já operava sob suspeita de ser uma entidade de fachada há quase uma década.
Procurada pela reportagem do Diário do RN, a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) informou que está aguardando os dados oficiais vindos do Conselho Nacional do SESI para emitir uma nota de posicionamento sobre o caso.
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