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O que causou a tragédia no Nepal que já deixa mais de 95 mortos e 580 desaparecidos; vídeo mostra vilas inteiras engolidas pela lama

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Uma avalanche de lama devastou a região montanhosa entre Nepal e Tibete, resultando em 98 mortos e 844 desaparecidos até o momento  |   BNews RN - Divulgação Reprodução: Internet
Redação

por Redação

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Publicado em 26/08/2026, às 13h27



Uma enorme avalanche de lama atingiu nesta quarta-feira (26) a região montanhosa na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na cordilheira do Himalaia.

A força da inundação destruiu vilas, casas, estradas e estruturas de energia, deixando 98 mortos e 844 desaparecidos, segundo os últimos balanços divulgados até as 12h48.

No lado chinês, o deslizamento atingiu o porto terrestre de Gyirong, no Tibete, por volta das 10h30 no horário local, equivalente às 23h30 de terça-feira (25) no horário de Brasília.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que pessoas tentam fugir enquanto a lama avança e toma conta do local.

No Nepal, comunidades instaladas próximas ao curso do rio também foram atingidas pela enxurrada. Registros feitos por testemunhas e veículos de imprensa locais mostram áreas inteiras cobertas por lama e água, além de estruturas destruídas pela correnteza.

Nepal concentra maior número de vítimas

O desastre atingiu principalmente a região de fronteira entre o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, e o condado de Gyirong, no Tibete chinês.

No território nepalês, as localidades de Syapru Besi e Timure, próximas ao rio, estão entre as áreas mais afetadas. A enxurrada provocou danos em casas, pontes, estradas e instalações de geração de energia.

Do lado tibetano, uma combinação de lama, água e rochas atingiu o porto de Gyirong, importante passagem terrestre utilizada por turistas que circulam entre Nepal e China.

O deslizamento também interrompeu estradas, comunicações e o fornecimento de energia em áreas do território chinês.

Balanço aponta 98 mortos e 844 desaparecidos

Os números divulgados pelas autoridades mostram que o Nepal concentra a maior parte das vítimas registradas até o momento.

Nepal:

95 mortos;
579 desaparecidos.

China (Tibete):

3 mortos;
265 desaparecidos.

As equipes de emergência continuam mobilizadas para localizar pessoas que permanecem desaparecidas e avaliar a extensão dos danos provocados pela avalanche e pelas inundações.

Mais de 300 turistas estão desaparecidos

Um levantamento preliminar realizado pelo Conselho de Turismo do Nepal identificou 341 viajantes como desaparecidos nas áreas atingidas pelo desastre.

Entre os turistas e viajantes cuja nacionalidade foi identificada estão:

Índia: 105;
Malásia: 17;
Reino Unido: 12;
África do Sul: 4;
Estados Unidos: 3;
Austrália: 1;
Países Baixos: 1;
Indianos não residentes: 37;
Nacionalidade ainda não confirmada: 161.

A agência sul-coreana Yonhap também informou que cerca de oito cidadãos da Coreia do Sul, que trabalhavam em uma hidrelétrica localizada na região, estão desaparecidos.

Até o momento, o Itamaraty informou que não possui informações sobre brasileiros entre as pessoas atingidas.

Terremoto pode ter provocado deslizamento

Uma das hipóteses investigadas para explicar a tragédia é a ocorrência de um terremoto de magnitude 4,4, registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) pouco antes do desastre.

O tremor teve epicentro a cerca de 10 quilômetros de profundidade. Apesar da proximidade temporal entre os fenômenos, ainda não existe confirmação oficial de que o terremoto tenha sido responsável pelo deslizamento e pelas inundações.

A suspeita é de que o tremor tenha provocado o deslocamento de gelo e rochas para o rio Lhende Khola, no lado nepalês, desencadeando uma forte elevação do volume de água.

A região havia registrado chuvas intensas antes do desastre, com parte da água acumulada e congelada. A ruptura dessa estrutura após o possível tremor teria liberado a água de maneira repentina, contribuindo para a força da enchente.

Autoridades mobilizam equipes de resgate

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência com a autoridade nacional responsável pela gestão de desastres.

Segundo o governo nepalês, policiais, militares, equipes médicas, escoteiros e integrantes da Cruz Vermelha foram mobilizados para atuar nas áreas atingidas.

As operações com helicópteros, entretanto, enfrentavam dificuldades. O elevado nível da água impedia o pouso das aeronaves em alguns dos locais mais afetados, dificultando o acesso das equipes de resgate.

Na China, o presidente Xi Jinping determinou que fossem realizados esforços máximos para localizar os desaparecidos. O governo também reforçou o monitoramento e os sistemas de alerta para evitar novas ocorrências.

Região ainda corre risco de nova inundação

As autoridades emitiram alertas para a possibilidade de uma nova inundação. Um bloqueio formado por gelo e rochas permanecia no curso superior do rio Lhende Khola, acumulando água atrás da barreira.

A preocupação com o rompimento desse bloqueio levou à emissão de alertas de cheia também para os estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh.

As equipes de emergência acompanham a situação para identificar mudanças no nível da água e reduzir os riscos para as comunidades que permanecem nas áreas próximas.

Por que tantos turistas visitam a região?

A presença de um número expressivo de turistas em Rasuwa está relacionada principalmente à localização estratégica da região e aos atrativos naturais e religiosos do Himalaia.

Um dos principais motivos é a proximidade com o Monte Kailash, no Tibete, considerado uma montanha sagrada pelo hinduísmo e por outras religiões. Todos os anos, milhares de peregrinos viajam para a região com o objetivo de visitar o local.

O Nepal é uma das rotas utilizadas para chegar ao Monte Kailash. Os viajantes seguem até Rasuwa e atravessam a fronteira entre os dois países pelo posto de Rasuwagadhi. Depois da passagem, chegam à região de Gyirong, de onde a viagem continua em direção à montanha sagrada.

Rasuwa também é destino para trekking

Além do turismo religioso, Rasuwa é procurada por visitantes interessados nas paisagens e trilhas do Himalaia.

A região abriga parte de Langtang, uma das áreas tradicionais de trekking do Nepal. Localizada aproximadamente 130 quilômetros ao norte de Katmandu e próxima à fronteira com o Tibete, a área reúne montanhas de grande altitude, vales, geleiras e lagos.

A combinação entre turismo religioso, atividades de aventura e a circulação pela rota internacional entre Nepal e China faz da região uma área de intenso movimento de viajantes, especialmente em períodos de maior procura turística.

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