Cidades
O Rio Grande do Norte se prepara para iniciar a vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), com a chegada de 10,3 mil doses destinadas a proteger gestantes e recém-nascidos, grupos vulneráveis a complicações respiratórias graves.
Em 2025, o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave por VSR, com 82,5% das internações em crianças menores de dois anos, evidenciando a urgência da vacinação para reduzir esses números.
A vacina, que será oferecida gratuitamente após um acordo de transferência de tecnologia, é destinada a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez e pode ser administrada junto a outras vacinas recomendadas durante o pré-natal.
O Rio Grande do Norte está prestes a iniciar uma das etapas mais importantes da temporada de imunização de 2025: a chegada das doses contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por boa parte dos casos graves de bronquiolite e pneumonia em bebês.
O primeiro envio nacional, liberado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (2), contempla 10,3 mil doses destinadas ao estado.
Com a distribuição, os municípios potiguares podem começar imediatamente a aplicação nas Unidades Básicas de Saúde, reforçando a proteção de gestantes e reduzindo os riscos de complicações respiratórias nos recém-nascidos — grupo mais vulnerável às formas graves da doença.
Esse é mais um passo decisivo para proteger gestantes e recém-nascidos de uma das infecções respiratórias mais graves do período neonatal. A chegada dessa vacina é uma novidade e reforça o compromisso do SUS com a prevenção e com o cuidado integral das famílias brasileiras”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Como será a entrega das doses
A vacinação contra o VSR passa a integrar o calendário do SUS de forma inédita. O lote inicial faz parte da compra de 1,8 milhão de doses e está sendo distribuído em etapas:
• 673 mil doses compõem a primeira remessa nacional;
• o DF foi o primeiro a receber;
• demais estados recebem entre 2 e 3 de dezembro;
• entregas ocorrem por transporte aéreo, rodoviário e multimodal.
O Ministério da Saúde afirma que garantirá abastecimento contínuo para atender às estratégias locais e evitar desabastecimento.
Por que a vacina é tão importante
O VSR é a principal causa de bronquiolite em crianças pequenas e um dos grandes responsáveis por hospitalizações no país. Em 2025, até 22 de novembro, o Brasil registrou:
• 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por VSR;
• 35,5 mil dessas ocorrências em crianças com menos de dois anos;
• 82,5% das internações concentradas nesse grupo etário.
A vacinação das gestantes oferece proteção imediata aos recém-nascidos, reduzindo o risco de agravamento nos primeiros meses — período crítico para complicações respiratórias.
Tecnologia e produção no Brasil
O imunizante, que na rede privada pode chegar a R$ 1,5 mil, passa a ser ofertado gratuitamente após acordo entre o Instituto Butantan e o laboratório responsável, garantindo:
• transferência de tecnologia ao Brasil;
• produção nacional do imunizante;
• maior autonomia de abastecimento para o SUS.
Segundo o Ministério, trata-se de um avanço histórico na prevenção de doenças respiratórias graves em bebês.
Quem deve se vacinar
O imunizante é destinado exclusivamente às gestantes:
• todas as gestantes a partir da 28ª semana de gravidez;
• dose única em cada gestação;
• sem restrição de idade materna.
A vacina pode ser administrada no mesmo dia que outros imunizantes recomendados durante o pré-natal, como influenza e covid-19.
O que dizem os estudos clínicos
A estratégia de vacinação materna mostrou resultados expressivos. O Estudo Matisse, referência internacional, apontou:
• 81,8% de eficácia na prevenção de quadros graves de VSR nos primeiros 90 dias de vida dos bebês.
Esse período concentra a maior vulnerabilidade dos recém-nascidos, reforçando a importância de ampliar o alcance da vacinação.
Como é o tratamento da bronquiolite
Por ser uma infecção predominantemente viral, a bronquiolite não possui tratamento específico. O manejo clínico costuma envolver:
• terapia de suporte;
• suplementação de oxigênio, quando indicada;
• hidratação adequada;
• broncodilatadores em casos de chiado importante.
A prevenção, portanto, é considerada a medida mais eficaz para reduzir hospitalizações e mortes.
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