A Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS), por meio da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), concluiu o ciclo de 2025 de encoleiramento contra a Leishmaniose Visceral em bairros considerados prioritários da cidade.
A ação integra a política municipal de vigilância e prevenção da doença e contabilizou a aplicação de aproximadamente 3.557 coleiras em cães domiciliados nas áreas com maior incidência.
Estratégia de controle e prevenção
O encoleiramento com coleiras anti-leishmaniose é apontado como uma das principais medidas de prevenção da Leishmaniose Visceral canina, reduzindo a infestação do inseto transmissor e, com isso, a ocorrência da doença em animais e humanos.
Para o secretário de Saúde de Natal, Geraldo Pinho, a estratégia é essencial para evitar agravamentos. Ele reforça que a Leishmaniose é uma zoonose crônica que pode levar ao óbito dos animais quando não diagnosticada e tratada a tempo.
As equipes da Unidade de Vigilância de Zoonoses concentraram o trabalho nos bairros da Zona Norte, seguindo o histórico epidemiológico da doença. Durante as visitas, além da colocação das coleiras, foram realizados exames para identificação de animais positivos ou negativos para Leishmaniose.
Casos registrados e áreas atendidas
Ao longo de 2025, Natal registrou 736 casos positivos de Leishmaniose canina e 11 casos da forma humana da doença.
O ciclo de encoleiramento começou em junho e contemplou cinco localidades: Loteamento Jardim Progresso, no bairro Nossa Senhora da Apresentação; Conjunto Alto da Torre, na Redinha; além dos conjuntos Cidade Praia; José Sarney; e Nova Natal, na região de Lagoa Azul.
O chefe da Unidade, Luciano Pereira da Silva, destacou que o próximo ciclo deve começar novamente ao final do sexto mês, incluindo a troca das coleiras já aplicadas.
Ele reforça que a Leishmaniose não é transmitida diretamente do animal para as pessoas, já que o contágio ocorre quando fêmeas do mosquito-palha picam cães infectados e depois picam seres humanos.
Orientações e impacto na comunidade
Luciano lembra ainda que as coleiras atuam também na proteção contra outros parasitas, como os carrapatos, que podem transmitir doenças graves.
Entre os moradores contemplados, está José Carlos da Silva, tutor de Barbie, cadela de 14 anos que recebeu a coleira pela primeira vez. Ele avaliou positivamente a ação, destacando o esclarecimento das equipes e a sensação de segurança para a família.
Leishmaniose Visceral: o que é e como prevenir
A Leishmaniose Visceral, conhecida como Calazar, é transmitida pela picada de fêmeas infectadas do flebotomíneo, especialmente da espécie Lutzomyia longipalpis, popularmente chamada de mosquito-palha. A doença tem incubação longa e pode levar anos para manifestar sintomas.
Entre as medidas de prevenção recomendadas estão a limpeza frequente de quintais e terrenos, a eliminação adequada de lixo orgânico, a manutenção correta dos abrigos dos animais, a redução de focos de umidade e o uso de inseticidas e repelentes para evitar a presença do mosquito transmissor.