Cidades
Publicado em 13/01/2026, às 08h49 Malu Machado
O Ministério Público do Rio Grande do Norte iniciou uma investigação sobre um ato de apologia ao nazismo durante uma festa de formatura em Mossoró, onde um adolescente foi flagrado vestindo trajes do Exército Alemão e fazendo a saudação 'Heil Hitler'. O incidente gerou indignação e é considerado crime sob a legislação brasileira.
Imagens do evento mostram o jovem em uniforme da Wehrmacht, e relatos indicam que ele já possui outras publicações nas redes sociais com símbolos nazistas, o que agrava a situação. A festa foi organizada de forma privada, mas a instituição Facene Mossoró se manifestou repudiando o ato e se comprometendo a revisar suas orientações.
O MPRN busca coletar informações para identificar os responsáveis e determinar as medidas legais cabíveis, lembrando que a apologia ao nazismo é crime punível com multa e prisão. O processo segue em segredo de justiça, e a divulgação de informações que identifiquem o adolescente é proibida, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) instaurou um procedimento para investigar um episódio de apologia ao nazismo ocorrido no último sábado (10), em Mossoró.
Durante uma festa de formatura do curso de Medicina da Facene, um adolescente foi flagrado vestindo trajes do Exército Alemão da época de Adolf Hitler e realizando a saudação "Heil Hitler".
Vídeos e fotos que circulam nas redes sociais mostram o jovem utilizando o uniforme da Wehrmacht (as Forças Armadas da Alemanha durante o regime nazista) e fazendo o gesto em referência ao ditador. O ato gerou revolta imediata, uma vez que a apologia ao nazismo é crime previsto na legislação brasileira.
Apesar de a festa ter sido organizada de forma privada pelos alunos, a Facene Mossoró publicou uma nota de repúdio, reforçando que não possui vínculo com o evento. A instituição afirmou que revisará orientações para evitar que episódios semelhantes se repitam e cooperará com as apurações.
A turma de formandos também se manifestou pelo Instagram, declarando indignação e afirmando que não tiveram conhecimento das vestimentas do convidado durante a celebração.
A empresa Master Produções e Eventos, responsável pelo cerimonial, esclareceu os detalhes da entrada do convidado. Segundo informações, o adolescente era convidado de duas irmãs formandas e chegou acompanhado pelos pais após as 23h.
A empresa ressaltou ainda que o menino entrou com roupas comuns. A troca de roupa para as fotos teria ocorrido de forma pontual e sem o conhecimento da equipe de organização.
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Em nota oficial, a Master Produções afirmou que repudia veementemente qualquer manifestação ligada ao ódio ou ao nazismo e que não compactua com esse tipo de conduta.
Relatos apontam ainda que o mesmo jovem possui outras fotos em redes sociais utilizando símbolos e vestimentas relacionadas ao nazismo.
Algumas dessas publicações teriam recebido comentários de apoio, o que amplia a gravidade da situação.
O Ministério Público agora busca coletar mais informações para entender a responsabilidade dos envolvidos. Vale lembrar que, no Brasil, a Lei 7.716/1989 estabelece que fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas ou ornamentos que utilizem a cruz suástica ou gamada para fins de divulgação do nazismo é crime sujeito a multa e prisão.
"O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), por intermédio da 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró, informa que foi instaurado um procedimento extrajudicial para a coleta de informações sobre incidente ocorrido durante o baile de formatura do curso de Medicina da Facene, realizado no último sábado.
O procedimento busca coletar informações preliminares sobre os fatos e a identificação dos envolvidos. A Promotoria de Justiça analisará detalhadamente as provas juntadas aos autos para determinar as medidas legais e diligências adequadas à elucidação do ocorrido.
Após as diligências estabelecidas pelo MPRN, será feita a análise sobre a responsabilização seja do próprio suposto adolescente e/ou de seus responsáveis.
O MPRN recebeu diversas representações por meio de sua plataforma oficial de denúncias. Todas as manifestações foram agrupadas ao procedimento principal para otimizar a investigação.
Por oportuno, o MPRN ressalta que, por se tratar de apuração envolvendo possível adolescente autor de ato infracional, o processo segue em estrito segredo de justiça.
Nesse sentido, alerta-se aos meios de comunicação, blogs e usuários de redes sociais que deve-se evitar a publicação de fotos, vídeos que exponham o rosto ou a divulgação do nome do adolescente.
O descumprimento dessa norma pode configurar infração administrativa, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sujeitando os responsáveis às penalidades legais. Além disso, o Artigo 143 do ECA veda a divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional."
O MPRN reitera seu compromisso com a legalidade e a proteção integral dos direitos infanto-juvenis.
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