Cidades
Resíduos com rótulos em idiomas asiáticos foram encontrados novamente na Praia do Segredo, em Natal, destacando um problema de poluição que se estende além das fronteiras locais, conforme relatado pela Companhia de Serviços Urbanos.
O lixo, que inclui garrafas de água e embalagens de macarrão instantâneo, é frequentemente identificado por rótulos e códigos de barras estrangeiros, indicando que não é originário da região, mas trazido por correntes marítimas.
A Urbana realiza limpeza diária nas praias e monitora o aparecimento desses resíduos, enquanto a Associação de Proteção e Conservação Ambiental aponta que o descarte inadequado por navios cargueiros pode ser uma das causas do problema, que afeta diversas localidades do litoral potiguar desde 2018.
Resíduos com rótulos em idiomas asiáticos voltaram a aparecer na Praia do Segredo, na Via Costeira, em Natal. A ocorrência foi registrada na última quinta-feira (6) pela Companhia de Serviços Urbanos (Urbana), empresa responsável pela limpeza no município. Dessa vez, foram encontradas garrafas de água, embalagens de macarrão instantâneo e chá verde.
Materiais semelhantes já haviam sido encontrados no início do ano. Esse constante reaparecimento reforça um problema que ultrapassa fronteiras.
"Esses resíduos não são gerados em Natal, mas chegam aqui trazidos pelas correntes marítimas. É um reflexo do mau gerenciamento dos plásticos em escala mundial, um problema que ultrapassa fronteiras e exige cooperação entre países", afirmou o presidente da Urbana, Alvamar Vale.
Material reaparece com frequência
Fábio Kennedy, encarregado de serviços da Urbana, confirmou que o lixo de origem estrangeira tem sido encontrado com frequência na Praia do Segredo.
"O lixo de proveniência asiática tem realmente aparecido aqui. Semanalmente a gente tem visto o reaparecimento desse material", disse Kennedy. Ele explicou que a identificação se dá não apenas pelos dizeres nos rótulos, mas também pelo código de barras que pertence a outras nacionalidades.
A Urbana informou que mantém a limpeza diária nas praias e que sua presidência orienta o monitoramento constante do aparecimento desse material na Via Costeira, Ponta Negra e demais praias. Segundo Fábio, apenas na Via Costeira, são recolhidos cerca de 20 a 30 sacos de lixo por limpeza.
Lixo de 23 países no litoral Potiguar
O problema do lixo internacional não é recente e nem exclusivo da capital. No início deste ano, o material com embalagens asiáticas foi encontrado também em Muriú (Ceará-Mirim), Cabo de São Roque (Maxaranguape) e Búzios (Nísia Floresta).
A Associação de Proteção e Conservação Ambiental Cabo de São Roque registra a presença desse tipo de resíduo nas praias potiguares desde 2018. Uma pesquisa realizada pela entidade em 2021 apontou a gravidade da situação: apenas na praia de Cabo de São Roque, havia lixo de 23 nacionalidades diferentes.
A associação levanta a hipótese de que o material seja descartado por navios cargueiros que se aproximam do litoral brasileiro. O descarte em alto-mar seria feito para evitar custos de descarregamento do material nos portos.
A Urbana ressalta que mantém "o compromisso com a preservação ambiental e o turismo sustentável" e desenvolve campanhas de conscientização sobre o descarte correto de resíduos.
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