O juiz titular da Vara de Execuções Penais (VEP) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Rafael Estrela Nóbrega, autorizou a transferência de sete dos dez presos apontados como líderes do Comando Vermelho (CV) para presídios federais de segurança máxima. Segundo o governo do Estado, os detentos continuam atuando no crime organizado mesmo dentro das unidades prisionais.
O pedido foi feito pelo governador Cláudio Castro (PL) ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, com o objetivo de interromper a comunicação dos chefes da facção após a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro.
Os presos que serão transferidos são:
- Roberto de Souza Brito, o Irmão Metralha que atua no Complexo do Alemão;
- Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho que atua em Resende e é o administrador da “caixinha” do CV;
- Alexander de Jesus Carlos, o Choque ou Coroa que traficante do Complexo do Alemão;
- Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor que é do Morro Santo Amaro, integra a comissão da facção;
- Fabrício de Melo de Jesus, o Bicinho que é de Volta Redonda, também membro da comissão;
- Carlos Vinícius Lírio da Silva, o Cabeça que é da comunidade do Sabão, em Niterói;
- Eliezer Miranda Joaquim, o Criam que é chefe na Baixada Fluminense.
Inicialmente, foi solicitada a transferência de dez suspeitos, mas a VEP concedeu cinco dias para que a Polícia Civil envie mais informações sobre dois deles: Leonardo Farinazzo Pampuri, o Léo Barrão, e Wagner Teixeira Carlos, o Waguinho de Cabo Frio, apontado como chefe do tráfico na Região dos Lagos.
O processo referente ao cabo da Marinha Riam Maurício Tavares Mota, o décimo nome da lista da Polícia Civil, ainda está sob análise no Juízo de Organização Criminosa, aguardando julgamento. O militar é acusado de operar drones para o Comando Vermelho.
Em 2023, Riam foi preso pela Polícia Federal dentro de um quartel em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Ele é apontado como o responsável por desenvolver dispositivos que acoplavam granadas a drones e por treinar criminosos no uso dos equipamentos em ataques a grupos rivais.
O sistema prisional federal de segurança máxima é composto por cinco unidades, localizadas em Mossoró (RN), Brasília (DF), Porto Velho (RO), Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR). O modelo é considerado eficaz para isolar líderes criminosos e desarticular facções, mantendo-os longe da comunicação com o crime organizado.
A operação
A
megaoperação policial que motivou o pedido de transferência resultou na morte de pelo menos 119 pessoas, entre elas quatro agentes de segurança e 115 suspeitos, segundo a Polícia Civil. A ação foi conduzida pelas polícias Civil e Militar nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio, e mobilizou cerca de 2.500 agentes para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão.
O número de mortos supera o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, em São Paulo, quando 111 detentos foram mortos durante uma operação policial.