Cidades
por Lavínia Manso
Publicado em 24/08/2026, às 09h48
O governo federal estuda reduzir ou até zerar a cobrança de pedágio para carros e motos em rodovias de baixo tráfego que forem incluídas em novos modelos de concessão. A proposta prevê separar veículos de passeio e caminhões leves em categorias distintas, permitindo uma tarifa menor para automóveis e motocicletas e, caso exista espaço financeiro, a isenção total.
A mudança ainda está em fase de estudos e não deve ser aplicada neste ano, segundo fontes que acompanham as discussões. A definição dependerá das características de cada rodovia e da estrutura financeira estabelecida para as futuras concessões.
A proposta está sendo analisada para estradas que fazem parte da chamada carteira de concessões inteligentes. O modelo foi desenvolvido para rodovias com menor circulação de veículos e prevê uma combinação de investimentos públicos iniciais com a administração privada dos trechos concedidos.
Atualmente, diferentes veículos são reunidos na chamada categoria 1 de cobrança. A proposta do governo é dividir essa classificação em duas faixas, uma destinada a caminhões leves de dois eixos e outra voltada aos chamados veículos comerciais leves.
Na categoria comercial leve ficariam carros de passeio e motocicletas. Para esses veículos, o governo avalia a possibilidade de estabelecer uma tarifa inferior à atual e, em determinadas situações, eliminar completamente a cobrança.
A justificativa para a diferenciação considera também o impacto provocado pelos veículos sobre o pavimento. Automóveis e motos, por terem menor peso, provocam menos desgaste na estrutura das rodovias do que caminhões utilizados no transporte de cargas.
Uma parcela significativa das rodovias que pode seguir o modelo de concessões inteligentes está localizada no Nordeste. A região reúne diversos trechos com menor fluxo de veículos que estão sendo avaliados pelo governo federal.
O modelo busca viabilizar investimentos em estradas que apresentam movimentação insuficiente para sustentar determinados projetos apenas com a arrecadação tradicional de pedágios. Por isso, a proposta combina recursos públicos iniciais com a participação da iniciativa privada na administração dos ativos.
A possibilidade de reduzir ou eliminar a cobrança para carros e motos faz parte dessa discussão sobre como estruturar financeiramente as concessões. A intenção é encontrar um formato que permita manter os investimentos e, ao mesmo tempo, diminuir o peso do pedágio para usuários de veículos leves.
Apesar da possibilidade de pedágio zero, não existe uma definição sobre quais rodovias poderiam receber a isenção. Os estudos ainda precisam indicar se haverá condições financeiras para adotar a medida sem comprometer a manutenção e os investimentos previstos.
O governo também deverá definir os critérios de enquadramento de cada veículo e as regras de cobrança para os caminhões leves. A estrutura final dependerá do modelo de concessão escolhido para cada trecho.
Até o momento, a proposta não tem previsão de implementação em 2026. As mudanças só poderão avançar após a conclusão dos estudos e a definição dos projetos que serão incluídos no novo modelo de concessões.
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