Cidades

Frei Gilson é denunciado ao MP por declarações preconceituosas: "Liberdade religiosa não é liberdade para odiar"

Caio Lima
O escritor Brendo Silva protocolou denúncia contra Frei Gilson por discursos discriminatórios em homilias e redes sociais  |   BNews RN - Divulgação Caio Lima

Publicado em 06/05/2026, às 08h54   Malu Machado



O escritor, jornalista e ex-noviço Brendo Silva protocolou uma denúncia formal no Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo. 

A ação, motivada por declarações públicas do religioso, aponta a prática de discursos discriminatórios contra pessoas LGBTQIA+ e mulheres em homilias, entrevistas e redes sociais. 

Brendo, que é autor do livro A vida secreta dos padres gays, sustenta que as falas do frei ultrapassam a liberdade de culto e configuram estigmatização.

Termos ultrapassados e "depravação"

De acordo com o texto da denúncia obtido pela coluna GENTE, Frei Gilson tem utilizado terminologias consideradas pejorativas e ultrapassadas, como “homossexualismo” (sufixo que remete a doença). 

O documento cita vídeos onde o religioso associa a orientação sexual a conceitos de “desordem”, “contrariedade à lei natural” e “depravação grave”.

Em um dos trechos anexados ao processo, o frei afirma enfaticamente: “Se a tua igreja está falando que não pode homem com homem, não pode e acabou. É a Bíblia”.

"Liberdade religiosa não é liberdade para odiar"

Para Brendo Silva, que conviveu por mais de 10 anos no ambiente seminarista como coroinha e noviço, esse tipo de abordagem é inaceitável em um país com altos índices de violência contra minorias.

As homilias em que Frei Gilson trata gays como doentes e associa a homossexualidade a ideias de desvio, além de reforçar visões que colocam a mulher em posição secundária, não podem ser naturalizadas. Estamos em um país com altas taxas de feminicídio e violência contra pessoas LGBT+. Liberdade religiosa não é liberdade para odiar”, pontua o escritor.

Contradição interna

O denunciante também aponta o que chama de “contradição” dentro da estrutura eclesiástica. Brendo afirma ter convivido com dezenas de seminaristas, padres e bispos gays ao longo de sua trajetória, e critica o fato de a instituição reforçar discursos de exclusão enquanto possui membros homossexuais em seu quadro sacerdotal. 

“É preciso coerência e responsabilidade”, acrescentou o autor, que busca com a ação no MPSP um posicionamento jurídico sobre os limites da pregação religiosa frente aos direitos civis.

Quem é Frei Gilson, o "fenômeno das redes"

Alvo da denúncia no MP, Frei Gilson é uma das figuras mais influentes da Igreja Católica na atualidade, acumulando números impressionantes no ambiente digital.

  • Alcance digital: o religioso conta com quase 13 milhões de seguidores no Instagram e mais de 9 milhões de inscritos no YouTube, onde realiza transmissões ao vivo de orações e pregações que alcançam milhares de fiéis simultaneamente.
  • Trajetória: natural de São Paulo, iniciou sua vida religiosa aos 18 anos e foi ordenado sacerdote em 2013. Atualmente, é membro dos Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo e atua na zona sul da capital paulista.
  • Carreira musical: líder do ministério "Som do Monte", o frei também é um sucesso na indústria fonográfica gospel. No Spotify, ele atrai mais de 1,8 milhão de ouvintes mensais, consolidando-se como uma voz de peso não apenas no altar, mas em toda a cultura cristã brasileira.

Classificação Indicativa: Livre

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