Cidades
por Lavínia Manso
Publicado em 28/07/2026, às 09h11
A obesidade e o emagrecimento acelerado podem aumentar o risco de dores e lesões na coluna quando não há acompanhamento médico e fortalecimento muscular adequado. O alerta é do neurocirurgião especialista em cirurgia da coluna Marco Moscatelli, que chama a atenção para os impactos do excesso de peso e da perda rápida de massa muscular sobre a estrutura vertebral.
O tema ganha ainda mais relevância diante do aumento dos casos de obesidade e da popularização de medicamentos para perda de peso e das cirurgias bariátricas. Segundo o especialista, embora o emagrecimento seja importante para pacientes obesos, a redução da massa muscular pode comprometer a estabilidade da coluna e favorecer dores crônicas.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a dor lombar é atualmente a principal causa de incapacidade no mundo. Cerca de 619 milhões de pessoas convivem com o problema, número que pode chegar a 843 milhões até 2050, reforçando a importância da prevenção.
De acordo com Marco Moscatelli, a obesidade altera o centro de gravidade do corpo e aumenta a pressão sobre os discos intervertebrais, acelerando processos degenerativos, como discopatias e hérnias de disco. Apesar disso, o médico ressalta que fatores genéticos e o sedentarismo continuam sendo os principais responsáveis pelos problemas na coluna.
O especialista explica que o emagrecimento acelerado, seja após cirurgia bariátrica ou com o uso de medicamentos para obesidade, também exige cuidados. Segundo ele, quando não existe acompanhamento adequado, até 40% do peso perdido pode corresponder à massa muscular.
A perda dessa musculatura reduz a sustentação natural da coluna. Os músculos da região abdominal e paravertebral funcionam como um sistema de proteção da estrutura vertebral e, quando enfraquecidos, aumentam as chances de dores persistentes e do agravamento de doenças já existentes.
Para evitar complicações, Marco Moscatelli recomenda que qualquer processo de emagrecimento seja acompanhado por estratégias voltadas à preservação da massa muscular. Entre as principais orientações estão alimentação rica em proteínas, suplementação quando indicada e prática regular de musculação e exercícios de resistência.
O especialista também destaca os avanços das técnicas cirúrgicas minimamente invasivas para pacientes com obesidade. Segundo ele, a endoscopia de coluna reduz a agressão aos tecidos, diminui o risco de infecções e complicações e proporciona uma recuperação mais rápida, permitindo que muitos pacientes caminhem poucas horas após o procedimento.
Para o neurocirurgião, a discussão sobre obesidade deve ir além da redução do peso corporal. Ele afirma que emagrecer é importante, mas preservar a musculatura é essencial para proteger a coluna, reduzir dores e garantir melhor qualidade de vida com acompanhamento médico adequado.
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