Cidades
Publicado em 03/06/2026, às 07h44 Malu Machado
Um monitoramento técnico realizado pela Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec/UFRN) acendeu o sinal de alerta sobre as condições da obra de engorda da Praia de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal.
O estudo identificou que, entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o volume de sedimentos medido acima da linha d’água (faixa visível de areia) sofreu uma redução de 39,27% na área analisada.
Em números absolutos, o levantamento apontou uma diminuição de 400,9 mil metros cúbicos de areia no intervalo de 12 meses. O volume total monitorado pelos pesquisadores despencou de 1,02 milhão de metros cúbicos para 619,8 mil metros cúbicos.
Apesar do impacto dos dados, tanto o relatório quanto a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) ressaltam que o recuo não significa, necessariamente, uma perda definitiva da areia.
Em nota oficial emitida pela Seinfra, a pasta explicou que o fenômeno faz parte da dinâmica natural da orla e que é prematuro falar em falha do projeto.
O fenômeno faz parte da dinâmica natural de transporte e redistribuição de sedimentos ao longo da orla, sem indicar que o material tenha saído do sistema costeiro. Como o relatório considerou apenas a porção da areia que fica exposta, é prematuro determinar com precisão a origem, o transporte e o destino dos sedimentos”, justificou.
Os pesquisadores da Funpec/UFRN concordam neste ponto técnico, destacando que o estudo avaliou apenas a porção acima da linha d'água. De acordo com o documento, apenas levantamentos topobatamétricos complementares, que medem o relevo abaixo da água, poderão indicar se a areia foi deslocada para a "antepraia" (fundo do mar submerso próximo) ou se foi redistribuída pelas correntes marinhas.
Para realizar o levantamento, os pesquisadores dividiram a praia em três setores bem definidos. A redução do volume de areia visível afetou os trechos da seguinte maneira:
Impacto: redução absoluta de 207 mil m³ (um recuo proporcional de 49,74%). Foi o trecho que registrou o maior sumiço de areia em volume bruto.
Impacto: redução absoluta de 82,7 mil m³ (um recuo proporcional de 21,21%). Foi o setor menos impactado ao longo dos doze meses.
Impacto: redução absoluta de 111,1 mil m³ (um recuo proporcional de 51,87%). Trata-se do ponto mais crítico do projeto, tendo perdido mais da metade de sua faixa de areia exposta.
Impacto geral: redução total de 400,9 mil m³ de sedimentos visíveis na orla (uma média de 39,27% de recuo global).
O documento técnico associa o rápido recuo da areia a uma série de incidentes ambientais registrados na orla ao longo do primeiro ano pós-conclusão da engorda:
Os técnicos projetam que, se novas intervenções não forem feitas na parte estrutural de Ponta Negra, a tendência é que o mar continue "comendo" a areia do Morro do Careca e empurrando o material para o trecho central até que a praia atinja um novo ponto de equilíbrio por conta própria.
Para frear esse avanço e proteger a engorda, o relatório recomenda que a prefeitura adote medidas complementares imediatas, tais como:
Classificação Indicativa: Livre
Modo Karaokê
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