Cidades

Estudo da UFRN aponta redução na areia da engorda de Ponta Negra; veja o que diz a prefeitura

Sérgio Henrique Santos/Inter TV
Monitoramento técnico aponta diminuição de 400,9 mil m³ de areia na Praia de Ponta Negra entre 2025 e 2026  |   BNews RN - Divulgação Sérgio Henrique Santos/Inter TV

Publicado em 03/06/2026, às 07h44   Malu Machado



Um monitoramento técnico realizado pela Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec/UFRN) acendeu o sinal de alerta sobre as condições da obra de engorda da Praia de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal. 

O estudo identificou que, entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o volume de sedimentos medido acima da linha d’água (faixa visível de areia) sofreu uma redução de 39,27% na área analisada.

Em números absolutos, o levantamento apontou uma diminuição de 400,9 mil metros cúbicos de areia no intervalo de 12 meses. O volume total monitorado pelos pesquisadores despencou de 1,02 milhão de metros cúbicos para 619,8 mil metros cúbicos.

Apesar do impacto dos dados, tanto o relatório quanto a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) ressaltam que o recuo não significa, necessariamente, uma perda definitiva da areia.

Prefeitura de Natal contesta e cita dinâmica natural

Em nota oficial emitida pela Seinfra, a pasta explicou que o fenômeno faz parte da dinâmica natural da orla e que é prematuro falar em falha do projeto.

O fenômeno faz parte da dinâmica natural de transporte e redistribuição de sedimentos ao longo da orla, sem indicar que o material tenha saído do sistema costeiro. Como o relatório considerou apenas a porção da areia que fica exposta, é prematuro determinar com precisão a origem, o transporte e o destino dos sedimentos”, justificou.

Os pesquisadores da Funpec/UFRN concordam neste ponto técnico, destacando que o estudo avaliou apenas a porção acima da linha d'água. De acordo com o documento, apenas levantamentos topobatamétricos complementares, que medem o relevo abaixo da água, poderão indicar se a areia foi deslocada para a "antepraia" (fundo do mar submerso próximo) ou se foi redistribuída pelas correntes marinhas.

O raio-x da engorda: veja como ficou cada área monitorada

Para realizar o levantamento, os pesquisadores dividiram a praia em três setores bem definidos. A redução do volume de areia visível afetou os trechos da seguinte maneira:

  • Via Costeira (Área A):
    Volume em Fev/2025: 416,3 mil m³
    Volume em Fev/2026: 209,2 mil m³

Impacto: redução absoluta de 207 mil m³ (um recuo proporcional de 49,74%). Foi o trecho que registrou o maior sumiço de areia em volume bruto.

  • Ponta Negra Central (Área B): 
    Volume em Fev/2025: 390,2 mil m
    Volume em Fev/2026: 307,4 mil m³

Impacto: redução absoluta de 82,7 mil m³ (um recuo proporcional de 21,21%). Foi o setor menos impactado ao longo dos doze meses.

  • Morro do Careca (Área C): 
    Volume em Fev/2025: 214,2 mil m³
    Volume em Fev/2026: 103,1 mil m³

Impacto: redução absoluta de 111,1 mil m³ (um recuo proporcional de 51,87%). Trata-se do ponto mais crítico do projeto, tendo perdido mais da metade de sua faixa de areia exposta.

  • Balanço Total Somado: 
    Volume inicial: 1,02 milhão m³
    Volume final: 619,8 mil m³

Impacto geral: redução total de 400,9 mil m³ de sedimentos visíveis na orla (uma média de 39,27% de recuo global).

Histórico de episódios erosivos 

O documento técnico associa o rápido recuo da areia a uma série de incidentes ambientais registrados na orla ao longo do primeiro ano pós-conclusão da engorda:

  1. Fevereiro de 2025: formação de um canal erosivo logo após o início do monitoramento.
  2. Junho de 2025: registro de um novo episódio grave de erosão.
  3. Outubro de 2025: alagamentos severos provocados pela combinação de fortes chuvas, falhas na drenagem urbana e maré astronômica elevada.
  4. Fevereiro de 2026: novas ocorrências erosivas observadas na base das estruturas.

Especialistas cobram obras urgentes na drenagem do bairro

Os técnicos projetam que, se novas intervenções não forem feitas na parte estrutural de Ponta Negra, a tendência é que o mar continue "comendo" a areia do Morro do Careca e empurrando o material para o trecho central até que a praia atinja um novo ponto de equilíbrio por conta própria.

Para frear esse avanço e proteger a engorda, o relatório recomenda que a prefeitura adote medidas complementares imediatas, tais como:

  • Realização de novos aterros pontuais (reaterro);
  • Controle rígido da drenagem na parte superior (a montante) do bairro de Ponta Negra;
  • Redimensionamento dos dissipadores de drenagem existentes na areia;
  • Implantação urgente de lagoas de captação e infiltração de água pluvial.

Classificação Indicativa: Livre

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