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Epilepsia em alta: especialistas alertam para números alarmantes; veja dicas de como proceder em meio a uma crise

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Neste 26 de março, o Brasil se une ao Purple Day para aumentar a conscientização sobre a epilepsia e seus desafios  |   BNews RN - Divulgação Reprodução
Elí Bernardo

por Elí Bernardo

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Publicado em 26/03/2026, às 08h41



Nesta quinta-feira, o Brasil e outros países promovem a conscientização sobre a epilepsia, incentivando o uso da cor roxa para apoiar a causa, que afeta cerca de 50 milhões de pessoas globalmente, sendo 3 milhões no Brasil.

A epilepsia é uma condição neurológica que provoca crises devido a descargas elétricas anormais no cérebro, e cerca de 1 milhão de brasileiros sofrem da forma refratária da doença, que não responde adequadamente a medicamentos.

O tratamento da epilepsia no Brasil é oferecido pelo Sistema Único de Saúde, incluindo intervenções cirúrgicas para casos graves, com 29 centros especializados disponíveis para atender pacientes com necessidades complexas.

Resumo gerado por IA

O Brasil e outros países do mundo se dedicam nesta quinta-feira (26) a conscientização sobre a epilepsia. Uma data de esforço nacional e internacional em que as pessoas ao redor do mundo são convidadas a usar a cor roxa em prol da causa.

O Purple Day (Dia Roxo) foi criado em 2008, por Cassidy Megan, uma criança canadense com nove anos de idade na época. Com a ajuda da Associação de Epilepsia da Nova Escócia (EANS), Cassydi escolheu a cor roxa para representar a epilepsia, por achar que a flor de lavanda, frequentemente associada com a solidão, representava os sentimentos de isolamento que muitas pessoas com epilepsia sentem.

O que é a epilepsia ?

A epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. 

Se ficarem restritos, a crise será chamada parcial; se envolverem os dois hemisférios cerebrais, generalizada. 

Em alguns as pessoas podem ter sintomas relativamente evidentes de epilepsia, não significando que o problema tenha menos importância se a crise não for tão aparente. 

Combate ao preconceito x casos que de intervenção cirurgica

Além do quadro clínico, os pacientes e familiares acabam lidando com o preconceito, algo muito marcante para que sofrem com a doença, pois muitas pessoas acham que pode haver contágio por pura ignorância.

Cerca de 50 milhões de pessoas no mundo possuem epilepsia. No Brasil, a epilepsia atinge 1,5% da população. Portanto em torno de 3 milhões de pessoas no país apresentam a doença. Desse número, aproximadamente 1 milhão de pessoas apresentam a forma refratária da doença, ou seja, fazem uso de 2 medicamentos antiepilépticos, mas não conseguem o controle adequado das crises.  

Quando isso acontece, o impacto na qualidade de vida, nas atividades laborativas, relações familiares e pessoais desses pacientes pode ser devastador, afirma o neurocirurgião Dr. Thiago Rocha (CRM 6233 RN – RQE 2222). 

Os pacientes que não respondem ao tratamento clínico, devem ser referenciados para uma avaliação pré-operatória de maneira precoce afim de evitar que os efeitos deletérios da doença prejudiquem a vida dessas pessoas", afirma o neurocirurgião, especialista em cirurgia de epilepsia, Dr. Thiago Rocha. 

Ainda segundo o especialista, o objetivo da cirurgia de epilepsia é deixar os pacientes que são refratários livres de crises ou pelo menos reduzir a frequência dessas crises, melhorando assim a qualidade de vida e reduzindo o impacto trazido pela doença.

A seleção adequada de um paciente para a cirurgia de epilepsia inclui preceitos básicos que são a determinação da refratariedade clínica aos medicamentos antiepilépticos, a provável localização do foco epiléptico, que é a região cerebral onde ocorre a geração das crises epilépticas, o impacto da epilepsia na vida do paciente e a motivação do paciente para ser operado.  

O objetivo da cirurgia não é a retirada dos medicamentos antiepilépticos, porém isso pode ocorrer, de maneira cautelosa, após 2 anos do pós-operatório, se o paciente durante esse período não apresentar novas crises e os eletroencefalogramas durante o acompanhamento apresentarem resultados normais” relata Dr. Thiago Rocha.


Essa técnica é realizada em 2 fases: "Na primeira fase realizamos a implantação cirúrgica dos eletrodos em regiões cerebrais suspeitas. Na segunda fase, realizada no dia seguinte, o paciente é monitorizado por 5 a 10 dias por uma equipe de neurologistas com especialidade em neurofisiologia" disse o médico. 


No final desse período, os eletrodos são retirados e é feito o diagnóstico com precisão a região cerebral que está doente.


“Posteriormente, programamos a remoção cirúrgica dessa área cerebral acometida pela doença. Isso permite uma melhora considerável do prognóstico e do controle das crises. Utilizamos esse recurso, quando os exames convencionais, como a ressonância de encéfalo e o vídeo-eletroencefalograma, deixarem dúvidas ou forem discordantes na localização do foco epiléptico". 


"O SEEG é um método usado nesses casos mais específicos, dando mais segurança para remoção cirúrgica dessas áreas cerebrais doentes”, conclui o Neurocirurgião, especialista em cirurgia de epilepsia, Dr. Thiago Rocha.

Diagnóstico

Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico de uma crise epiléptica pode ser feito clinicamente por meio de um exame físico geral, com ênfase nas áreas neurológica e psiquiátrica e de um histórico detalhado pelo paciente, na maioria dos casos. 

Muitas vezes, o auxílio de uma testemunha ocular é importante para que a crise seja descrita em detalhes. A ocorrência de uma aura (manifestação sensorial inicial de uma crise), bem como fatores precipitantes da crise, deve ser registrada. 

Outros pontos que devem ser acompanhados são a idade de início, frequência de ocorrência das crises e intervalos entre as crises (o mais curto e o mais longo obtido na história do paciente), que devem ser caracterizados, muitas vezes com o auxílio de um diário de crises.

Esse registro deve conter ainda a existência de eventos pré e perinatais, crises no período neonatal, crises febris, qualquer crise não provocada e história de epilepsia na família. Trauma craniano, infecção ou intoxicações prévias também devem ser investigados.

Para além disso, é fundamental também um diagnóstico diferencial correto com outros distúrbios paroxísticos da consciência, como síncopes e crises não epilépticas psicogênicas, bem como manifestações neurológicas focais súbitas, como isquemia cerebral aguda e enxaqueca.

Como funciona o tratamento ?

No Brasil, o tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece tratamento integral para os casos de epilepsia, desde diagnóstico até o acompanhamento e tratamento necessários, inclusive o medicamentoso. 

O tratamento inicia, preferencialmente, na atenção primária, por meio de uma das Unidades Básicas de Saúde espalhadas por todo o País.

Se houver necessidade, o médico pode encaminhar para um atendimento especializado de média e alta complexidade. 

O tratamento das epilepsias é feito com medicamentos que evitam as descargas elétricas cerebrais anormais, que são a origem das crises epilépticas. Nos casos de crises frequentes e incontroláveis são candidatos à intervenção cirúrgica.

Hoje, existem 29 estabelecimentos habilitados na alta complexidade em Neurologia/Neurocirurgia com o serviço/classificação – Investigação e Cirurgia de Epilepsia no Brasil, que deverão oferecer:

  • atendimento (média e alta complexidade) necessário ao paciente neurológico;
  • consultas;
  • exames (média e alta complexidade);
  • diagnóstico;
  • tratamento (clínico e cirúrgico);
  • acompanhamento;
  • UTI;
  • entre outros.

Como proceder em uma crise de epilepsia ?

Em muitos casos, as crises epiléticas não são previsíveis e por isso as pessoas precisam de apoio, principalmente para não se machucarem durante as convulsões. 

Em casos de uma pessoa entrar em crise epiléptica veja como proceder ao presenciar uma crise:

  • mantenha a calma e tranquilize as pessoas ao seu redor;
  • evite que a pessoa caia bruscamente ao chão;
  • tente colocar a pessoa deitada de costas, em lugar confortável e seguro, com a cabeça protegida com algo macio;
  •  nunca segure a pessoa nem impeça seus movimentos (deixe-a debater-se);
  •  retire objetos próximos que possam machucar;
  • mantenha-a deitada de barriga para cima, mas com a cabeça voltada para o lado,
  • evitando que ela se sufoque com a própria saliva;
  • afrouxe as roupas, se necessário;
  • se for possível, levante o queixo para facilitar a passagem de ar;
  • não tente introduzir objetos na boca do paciente durante as convulsões;
  • não dê tapas;
  • não jogue água sobre ela nem ofereça nada para ela cheirar;
  • verifique se existe pulseira, medalha ou outra identificação médica de emergência que possa sugerir a causa da convulsão;
  • permaneça ao lado da pessoa até que ela recupere a consciência;
  •  se a crise convulsiva durar mais que 5 minutos sem sinais de melhora, peça ajuda médica;
  • quando a crise passar, deixe a pessoa descansar.

Classificação Indicativa: Livre

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