Cidades
por Lavínia Manso
Publicado em 04/09/2026, às 10h21
A enxaqueca é uma doença neurológica complexa que pode comprometer sono, concentração, rotina e qualidade de vida, alerta a fisioterapeuta Kelly Gama, especialista em dor e sócia-fundadora do Centro Vitta, em Natal. Durante o Mês de Conscientização sobre a Dor, celebrado em setembro, a profissional destaca a importância do diagnóstico correto e de um tratamento individualizado para controlar as crises e ajudar os pacientes a recuperar atividades prejudicadas pela doença.
Apesar de muitas vezes ser confundida apenas com uma dor de cabeça intensa, a enxaqueca pode apresentar uma série de sintomas. Entre eles estão dor forte e pulsátil, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz, aos sons e aos cheiros.
Em alguns casos, os pacientes também apresentam aura, caracterizada por alterações visuais, formigamento ou dificuldade para falar. Os efeitos da doença podem surgir antes, durante e depois das crises.
A dor de cabeça é apenas um dos sintomas da enxaqueca. Estamos falando de uma doença que envolve mecanismos neurológicos e genéticos complexos e que, em alguns casos, pode se tornar crônica e incapacitante. Por isso, precisa de diagnóstico e tratamento adequados”, explica Kelly Gama.
Segundo a especialista, as crises estão relacionadas ao funcionamento do sistema nervoso. A doença envolve uma maior excitabilidade de determinadas redes cerebrais e a ativação do sistema trigeminovascular, responsável por participar da transmissão da dor.
Durante uma crise, também ocorre a liberação de substâncias que contribuem para a inflamação neurogênica e para a sensibilização das vias relacionadas à dor. Por isso, o tratamento precisa considerar as características de cada paciente e não apenas combater o sintoma no momento da crise.
Uma das alternativas utilizadas em determinados casos é a neuromodulação não invasiva, técnica que emprega estímulos elétricos para alterar a atividade de estruturas do sistema nervoso associadas à percepção dolorosa.
A neuromodulação pode ser utilizada na prevenção e, em determinados casos, para diminuir os sintomas durante uma crise. Os resultados mais significativos incluem a redução da frequência e da intensidade das crises, a melhora da dor, a retomada de atividades e o ganho de qualidade de vida. Em alguns pacientes, também é possível diminuir a necessidade do uso de medicamentos”, destaca.
A indicação da técnica, entretanto, deve levar em conta o tipo de enxaqueca, a frequência das crises e o histórico clínico de cada pessoa. Kelly Gama defende que o acompanhamento seja integrado entre neurologista e fisioterapeuta especializado em dor.
Além de controlar as crises, o tratamento busca fazer com que o paciente compreenda os fatores capazes de contribuir para o agravamento ou a manutenção da dor. Essa abordagem está presente no Ressignificador, método desenvolvido por Kelly Gama para o tratamento da dor crônica.
O programa reúne educação em dor, exercícios orientados por metas funcionais, exposição gradual ao movimento e estímulos sensoriais e cognitivos. A proposta é reeducar o sistema de dor, estimular movimentos mais seguros e conscientes e ajudar a quebrar o ciclo de medo, inatividade e perda de autonomia.
No caso da enxaqueca, a pessoa também precisa aprender a manejar a condição e entender quais fatores funcionam como gatilhos para o retorno das crises. Não buscamos apenas aliviar um sintoma, mas oferecer recursos para que o paciente participe ativamente do tratamento e volte a realizar atividades que deixou de fazer por causa da dor”, afirma a especialista.
Fundado em 2007 pelos fisioterapeutas Kelly Gama e Jorge Ivan, o Centro Vitta, em Natal, atua no diagnóstico, tratamento e manejo de diferentes tipos de dor, incluindo condições crônicas e neuropáticas.
A unidade reúne profissionais de áreas como fisioterapia, medicina, psicologia, nutrição e educação física. Entre os serviços estão avaliação funcional, diagnóstico e educação em dor, planos individualizados para problemas na coluna e nas articulações, Pilates clínico e treinamento funcional clínico.
Com mais de 20 anos de experiência profissional, Kelly Gama é formada em Fisioterapia pela Universidade Potiguar e possui especializações em Dor, Recursos Cinesioterapêuticos, Terapia Manual e Osteopatia. A profissional também tem formações nos métodos Maitland, Mulligan e McKenzie e é idealizadora do Centro Vitta Academy.
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