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Do frio ao sertão: as serras do RN que surpreendem pela beleza

Serra de Martins - Foto: Blog Jaldesmar Costa
Explore as belezas naturais e as experiências únicas das serras do RN. Descubra como as diferentes épocas do ano influenciam as paisagens  |   BNews RN - Divulgação Serra de Martins - Foto: Blog Jaldesmar Costa
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 23/08/2026, às 13h00



O Rio Grande do Norte é conhecido mundialmente pelas praias, dunas e falésias, mas quem deixa o litoral para trás encontra um estado completamente diferente. Em regiões do Agreste, Alto Oeste e Seridó, serras com formações rochosas, mirantes, trilhas, cachoeiras e temperaturas mais amenas formam alguns dos cenários mais surpreendentes do território potiguar. De Serra de São Bento a Parelhas, há opções para quem procura aventura, descanso, gastronomia regional ou simplesmente um lugar bonito para ver o pôr do sol.

Para esta seleção, entram destinos que combinam beleza natural, estrutura turística e experiências diferentes. Alguns ficam a pouco mais de 100 quilômetros de Natal, enquanto outros exigem uma viagem mais longa, mas recompensam o visitante com paisagens que fogem completamente da imagem tradicional do RN.

A melhor época também depende do tipo de experiência procurada. O inverno costuma deixar algumas áreas serranas mais verdes e favorece cachoeiras e temperaturas baixas. Já os períodos secos valorizam o visual das formações rochosas e da caatinga. No Seridó, por exemplo, o ecoturismo pode ser praticado em diferentes épocas do ano, com paisagens que mudam conforme as chuvas.

Serra de São Bento: aventura com clima de montanha

A cerca de 135 quilômetros de Natal, Serra de São Bento é uma das opções mais acessíveis para quem quer experimentar o clima serrano sem fazer uma viagem tão longa. Localizada no Planalto da Borborema, a cidade apresenta altitudes que variam aproximadamente entre 400 e 800 metros e reúne formações rochosas, trilhas e áreas de contemplação.

Entre os destaques estão a Pedra do Sapo e outras formações que ganharam nomes pela aparência das rochas. A região também é procurada para caminhadas, trekking, mountain bike e outras atividades ao ar livre. O Festival de Inverno ajudou a consolidar o município como destino turístico do Agreste potiguar.

Para quem quer dormir na região, uma das opções é a Pousada Villas da Serra. Outra alternativa é o Chalé Entre as Pedras. Na gastronomia, o visitante encontra desde comida brasileira até cortes grelhados e opções mais elaboradas. O Restaurante Galinha Da Serra é uma das opções disponíveis na área rural.

  • Para quem é: casais, famílias e aventureiros.
  • Distância de Natal: aproximadamente 135 km.
  • O que fazer: trilhas, contemplação, formações rochosas e gastronomia.
  • Melhor ponto para fotos: Pedra do Sapo e os mirantes da região.
  • Dica: algumas atrações possuem acesso condicionado a reserva ou hospedagem, portanto vale confirmar antes da viagem.

Martins: o friozinho mais famoso do RN

Se a ideia é encontrar temperaturas mais baixas, Martins provavelmente está entre os primeiros nomes da lista. A cidade fica no Alto Oeste, a cerca de 360 quilômetros de Natal, e é conhecida pelo clima serrano, pelos mirantes e pelo patrimônio natural. A altitude elevada ajuda a criar uma atmosfera completamente diferente da encontrada na capital.

A Casa de Pedra é um dos grandes símbolos do município. A região também conta com o Mirante do Canto e o Mirante da Carranca, pontos que permitem observar a paisagem do alto. A prefeitura mantém registros oficiais dos dois mirantes como atrativos turísticos do município.

Martins também se destaca pela gastronomia. O Mirante do Canto e o Mirante da Carranca unem alimentação e paisagem panorâmica. Para hospedagem, aparecem entre as opções locais o Hotel Serrano e o Hotel Chalé Lagoa Dos Ingás.

Reprodução/Tripadvisor
Reprodução/Tripadvisor

  • Para quem é: quem procura frio, gastronomia e paisagens.
  • Distância de Natal: cerca de 360 km.
  • O que fazer: visitar a Casa de Pedra, conhecer os mirantes e caminhar pela cidade.
  • Melhor ponto para fotos: Mirante do Canto e Mirante da Carranca.
  • Dica: julho e agosto costumam concentrar o período mais frio e eventos gastronômicos.

Portalegre: cachoeira, mata e mirantes

Vizinha de Martins, Portalegre está a aproximadamente 365 quilômetros de Natal e integra uma das principais áreas serranas do Alto Oeste. A região apresenta altitude média de cerca de 650 metros e combina formações rochosas, trilhas, grutas, cachoeiras e clima mais ameno.

Um dos principais cartões-postais é a Cachoeira do Pinga. Segundo a divulgação turística municipal, a queda possui cerca de 96 metros e fica a aproximadamente 2,5 quilômetros do centro. O caminho passa por vegetação nativa, pedras e trechos estruturados para facilitar o acesso.

Os mirantes da Bela Vista e da Ponta da Serra também estão entre os pontos indicados para contemplar a paisagem. Para comer, o visitante pode encontrar opções como o Restaurante Donana e o Restaurante e Petiscaria Meu Recanto. Para passar a noite, o West Hotel Portalegre e a Pousada Brisa da Serra são alternativas na cidade.

Foto: Fábio Pinheiro – Torres de Portalegre.
Foto: Fábio Pinheiro – Torres de Portalegre.

  • Para quem é: amantes de natureza e cachoeiras.
  • Distância de Natal: aproximadamente 365 km.
  • O que fazer: trilhas, mirantes e Cachoeira do Pinga.
  • Melhor ponto para fotos: Mirante da Bela Vista e região da cachoeira.
  • Dica: depois de períodos de chuva, os atrativos ligados à água tendem a ganhar ainda mais destaque.

Patu e a Serra do Lima: fé e religão

Em Patu, no Oeste potiguar, a Serra do Lima mistura natureza, religiosidade e esportes de aventura. O município fica a cerca de 321 quilômetros de Natal e é conhecido nacionalmente pelas condições favoráveis à prática de voo livre.

A Serra do Lima possui cerca de oito quilômetros de extensão, com altitudes que variam entre 400 e 600 metros. No alto está o Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, destino de romarias e um dos principais pontos de turismo religioso potiguar.

A região também oferece rampa de voo livre, trilhas, bicas e, durante o período chuvoso, a Cachoeira dos Macacos. Para hospedagem, uma das opções é o Plaza Hotel Patu/RN. Na cidade, o visitante pode conhecer o Quintal de Casa ou a Churrascaria Vai Gordo.

Reprodução/APN-RN
Reprodução/APN-RN

  • Para quem é: religiosos, aventureiros e quem gosta de paisagens amplas.
  • Distância de Natal: cerca de 321 km.
  • O que fazer: visitar o santuário, conhecer a serra e praticar ou observar o voo livre.
  • Melhor ponto para fotos: área do Santuário do Lima e rampa de voo livre.
  • Dica: a temporada de voo livre ganha força entre outubro e dezembro.

Serra de Santana: o RN que esfria no Seridó

No centro do estado, a Serra de Santana apresenta outra paisagem. Lagoa Nova, conhecida oficialmente como a “Capital da Serra de Santana”, está inserida em uma região de altitude e clima mais ameno. A área também integra o território do Geoparque Seridó, reconhecido por seu patrimônio geológico, cultural e natural.

Lagoa Nova é uma boa escolha para quem quer combinar natureza com gastronomia e hospedagem em clima serrano. Entre os pontos de interesse estão áreas rurais, mirantes e paisagens que permitem observar o contraste entre a serra e a caatinga.

Uma opção gastronômica é o Casa Di taipa mirante, localizado na zona rural. Para dormir, o visitante encontra alternativas como a Pousada Café Du’Lírio e a Pousada Império.

Reprodução/Alceu Flavio
Reprodução/Alceu Flavio

  • Para quem é: quem busca clima ameno, sossego e paisagens do Seridó.
  • O que fazer: conhecer áreas serranas, mirantes e atrações do Geoparque Seridó.
  • Melhor ponto para fotos: mirantes e áreas rurais da Serra de Santana.
  • Dica: a recuperação da RN-041, iniciada em 2026, contempla o trecho entre Currais Novos e Lagoa Nova e deve melhorar o acesso à região.

Cerro Corá: montanhas e história geológica

Cerro Corá é outro destino que merece espaço no roteiro serrano potiguar. O município está a cerca de 190 quilômetros de Natal e possui clima serrano, com temperaturas mais baixas durante o inverno. Entre junho e agosto, as mínimas podem chegar a aproximadamente 17°C durante a noite.

A cidade também oferece experiências para quem gosta de trilhas e geologia. Um dos destaques é o Vale Vulcânico, área relacionada a um vulcão extinto há milhões de anos e que apresenta formações rochosas de origem vulcânica.

Para comer, o visitante pode recorrer ao Restaurante Suíça da Serra ou ao Restaurante da Gil. Já para quem pretende passar a noite em contato mais direto com a natureza, o Pousada Colina dos Flamboyants em Cerro Corá é uma alternativa.

Foto: Jurandir Junior
Foto: Jurandir Junior

  • Para quem é: trilheiros, fotógrafos e interessados em geologia.
  • Distância de Natal: cerca de 190 km.
  • O que fazer: trilhas, observar formações rochosas e conhecer o centro histórico.
  • Melhor ponto para fotos: áreas elevadas e paisagens do Vale Vulcânico.
  • Dica: o município mantém eventos como Festival de Fondue e Festival de Inverno, que reforçam o perfil turístico serrano.

Serra do Boqueirão: a força das rochas do Seridó

Em Parelhas, a paisagem muda novamente. A Serra do Boqueirão integra o Planalto da Borborema e é considerada um dos cartões-postais do município. A serra reúne mirantes, trilhas, o Poço da Princesa e o Sítio Arqueológico Mirador, criando um roteiro que mistura aventura, geologia e história.

O Sítio Arqueológico Mirador acrescenta uma dimensão histórica ao passeio. O local possui pinturas rupestres com milhares de anos e está inserido no Geoparque Seridó. O percurso até o sítio é curto, mas exige esforço físico moderado.

Parelhas fica a cerca de 246 quilômetros de Natal. Para explorar a região, há passeios de veículos fora de estrada e atividades na Barragem Boqueirão. Entre as opções de hospedagem estão o Hotel Boqueirão e a Venezza Park. Para comer, o Recanto Verde fica próximo à estrada da Barragem Boqueirão.

Reprodução/catingueiro-serido
Reprodução/catingueiro-serido

  • Para quem é: aventureiros, fotógrafos e interessados em arqueologia.
  • Distância de Natal: aproximadamente 246 km.
  • O que fazer: trilhas, passeio de 4x4, Serra do Boqueirão e Sítio Arqueológico Mirador.
  • Melhor ponto para fotos: Cruzeiro e mirantes da Serra do Boqueirão.
  • Dica: a Serra da Capelinha é outra opção no município, com trilhas e um mirante no alto da formação rochosa.

Qual serra combina com você?

Para quem quer chegar mais rápido: Serra de São Bento, com cerca de 135 quilômetros de Natal.

Para quem procura frio: Martins e Portalegre são as escolhas mais tradicionais do Alto Oeste. Documentos turísticos estaduais apontam temperaturas de inverno entre 13°C e 18°C na região serrana.

Para quem gosta de aventura: Serra de São Bento, Patu e Parelhas oferecem trilhas, formações rochosas e atividades de aventura.

Para quem prefere cachoeira: Portalegre é o destaque, especialmente pela Cachoeira do Pinga. Patu também oferece atrações ligadas à água durante o período chuvoso.

Para quem gosta de história e geologia: Cerro Corá e Parelhas oferecem experiências que vão além da paisagem, com formações geológicas e sítios arqueológicos.

Para quem quer unir fé e natureza: Patu se destaca pela Serra do Lima e pelo Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis.

Antes de colocar o pé na estrada

As distâncias apresentadas são aproximadas e podem variar conforme o ponto de saída em Natal e a rota escolhida. Antes de viajar, também é importante confirmar as condições das estradas, horários de funcionamento, necessidade de reserva e regras de acesso às trilhas e propriedades privadas.

Em atrações naturais, especialmente trilhas e áreas de serra, a recomendação é evitar caminhos desconhecidos sozinho, utilizar condutores quando a atividade exigir orientação especializada, levar água e verificar a previsão do tempo. Em períodos de chuva, algumas trilhas e acessos podem apresentar condições diferentes das encontradas durante a estação seca.

Mais do que destinos para fugir do calor, as serras mostram uma outra identidade do território. Entre pedras gigantes, mata, caatinga, mirantes, cachoeiras, gastronomia e noites frias, o interior potiguar oferece paisagens capazes de fazer o visitante esquecer, por algumas horas, ao menos, que está em um dos estados mais associados ao sol e ao mar do Brasil.

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Classificação Indicativa: Livre

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