Cidades
O Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, enfrenta superlotação e falta de profissionais, resultando em pacientes aguardando internação em corredores e dificuldades na liberação de leitos de UTI.
Médicos da cooperativa SAMA estão com pagamentos atrasados há quase cinco meses, o que pode levar à interrupção dos atendimentos, enquanto a Secretaria de Saúde reconhece um atraso de cerca de um mês devido a dificuldades financeiras.
Para mitigar a crise, a Secretaria convocou 749 profissionais de saúde e está reformando o hospital com um investimento de R$ 10,3 milhões, prevendo a conclusão das obras até o final do ano.
O Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), em Mossoró, principal unidade de urgência e emergência do Oeste potiguar, enfrenta um cenário de pressão provocado pela superlotação, déficit de profissionais, demora na liberação de leitos e atraso no pagamento de médicos cooperados.
Referência para mais de 60 municípios, o hospital registra diariamente pacientes acomodados em corredores enquanto aguardam internação. A situação é agravada pela elevada ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Profissionais da cooperativa médica SAMA afirmam estar há quase cinco meses sem receber pelos plantões realizados. Segundo os médicos, o último pagamento corresponde aos serviços prestados em fevereiro. Diante da situação, parte da categoria admite interromper os atendimentos caso os pagamentos não sejam regularizados.
O Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN) confirmou a existência de atrasos e informou que acompanha o caso em conjunto com o Conselho Regional de Medicina (Cremern).
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) reconheceu que há atraso no repasse à cooperativa, mas afirmou que o período é menor do que o apontado pelos profissionais. Segundo a pasta, os contratos antigos preveem prazo de até três meses para pagamento após a emissão da nota fiscal e, atualmente, existe um atraso de aproximadamente um mês em relação ao cronograma previsto.
De acordo com a Sesap, o atraso ocorreu em razão de dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado, mas a expectativa é de regularização.
A superlotação também impacta a fila por vagas de UTI, monitorada pelo sistema Regula RN. Segundo a secretaria, a dificuldade para liberar leitos está relacionada à falta de profissionais técnicos e à escassez de leitos de enfermaria, que permitiriam a transferência de pacientes e aumentariam a rotatividade na unidade.
Para reduzir o déficit de pessoal, a Sesap informou que convocou recentemente 749 aprovados no concurso público da Saúde. Ao todo, quase 3 mil profissionais já foram chamados, incluindo 360 médicos, entre eles especialistas para atuação em UTIs.
A pasta também destacou que Mossoró passou de nove para 54 leitos de UTI financiados pelo Estado e que toda a região Oeste conta atualmente com 84 leitos custeados pela Sesap.
Paralelamente, segue em andamento a reforma do Hospital Regional Tarcísio Maia, com investimento de aproximadamente R$ 10,3 milhões, sendo R$ 6,4 milhões provenientes de recursos destinados pelo senador Styvenson Valentim.
O projeto contempla a reforma dos setores de urgência e emergência, centro cirúrgico, pediatria, lavanderia, necrotério, Central de Material Esterilizado (CME) e a ampliação da área de nutrição.
Segundo a Secretaria de Saúde, a obra continua em execução, mas avança de forma gradual devido ao funcionamento ininterrupto do hospital. A previsão é que a área da pediatria seja concluída nos próximos dias, permitindo o remanejamento dos atendimentos e o avanço das demais etapas da reforma. A expectativa é concluir toda a obra até o fim deste ano.
A Secretaria Estadual de Saúde afirmou que o Hospital Regional Tarcísio Maia está com atendimento dentro da normalidade, neste fim de semana.
“A situação de atendimento no Hospital Regional Tarcísio Maia, neste fim de semana é considerada dentro do normal, com vazão de atendimento, sem superlotação.
Quanto à escala de profissionais médicos, se mantém completa, com profissional extra na porta de entrada”.
A SESAP também informou que está com escala extra para evitar a espera de atendimento e dar rotatividade dos pacientes. “A intenção é manter um fluxo sem corredor com pacientes”, informou a assessoria.

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