Cidades

Crise na Educação do RN: apenas 6,4% concluem Ensino Médio com aprendizagem adequada; confira dados nacionais

Reprodução/Agência Brasil - Tomaz Silva
Apenas 6,4% dos alunos do RN concluem o Ensino Médio com aprendizado adequado em Língua Portuguesa e Matemática.  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Agência Brasil - Tomaz Silva
Dani Oliveira

por Dani Oliveira

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Publicado em 27/11/2025, às 08h06



Dados recentes indicam que apenas 6,4% dos alunos do Ensino Médio no Rio Grande do Norte alcançam um nível adequado de aprendizado em Língua Portuguesa e Matemática, um cenário alarmante que reflete a crise educacional no estado.

O desempenho insatisfatório é atribuído a problemas nas etapas anteriores da educação, com apenas 19,6% de aprendizagem nos anos iniciais e uma queda drástica para 6,6% nos anos finais, agravando a situação no Ensino Médio.

A Secretaria de Estado da Educação anunciou um plano de reestruturação que inclui investimentos em infraestrutura e tecnologia, além de ações para melhorar a formação docente e a recuperação de aprendizagens, visando reverter o quadro crítico da educação no estado.

Resumo gerado por IA

Novos dados do Anuário da Educação Básica 2025 mostraram um cenário preocupante para a rede pública de ensino do Rio Grande do Norte (RN), especialmente no domínio adequado de Língua Portuguesa e Matemática. Apenas 6,4% dos alunos das escolas públicas do RN concluem o Ensino Médio com o nível de aprendizagem considerado adequado nas duas disciplinas-chave. 

Apesar de o índice potiguar ser o terceiro maior do Nordeste (atrás de Ceará, 7,2%, e Pernambuco, 6,6%), e estar significativamente acima das médias nacional (4,5%) e regional (4,3%), os números acendem um alerta.

O impacto dessa deficiência é sentido diretamente pelos estudantes. A concluinte do Ensino Médio, Maria Beatriz, de 18 anos, relata ter enfrentado dificuldades com fórmulas e operações ao longo de toda sua vida escolar. Ela levanta uma crítica sobre as recentes mudanças curriculares: "Acho que não aprendi o suficiente. Creio que as mudanças que tiveram, com o novo Ensino Médio, contribuíram para a falta de aprendizado adequado nesta etapa, porque tudo ficou muito confuso", comenta.

Raízes do problema: Ensino Fundamental

Para Gustavo Fernandes, mestre em Educação e especialista em Gestão Escolar, o desempenho insatisfatório na fase final da Educação Básica é um reflexo direto de problemas nas etapas anteriores.

Nos anos iniciais (1º ao 5º ano), o índice de aprendizagem no estado é de 19,6% em Língua Portuguesa e Matemática. Já nos anos finais, a taxa cai drasticamente para 6,6%.

Fernandes, que também é Secretário de Educação em Nísia Floresta, na Grande Natal, alerta para a conexão entre as etapas. Ele destaca que o cenário se agrava particularmente na área de Exatas ao atingir o Ensino Médio.

"Existem municípios onde mais de 50% dos alunos não são alfabetizados no Ensino Fundamental. Então, esse aluno chega no Ensino Médio e não consegue ter um bom aproveitamento por conta das lacunas acumuladas."

Liderança em reprovação e abandono escolar

O Rio Grande do Norte também se destaca negativamente em outros indicadores críticos. Em 2024, o estado registrou a maior taxa de reprovação do país no Ensino Médio, atingindo 11,8%, o que supera as médias nacional (5,1%) e nordestina (4,4%). O RN também ocupa a última posição nacional no ranking de abandono escolar no Ensino Médio, com uma taxa de 6,8% (contra 3,2% nacional e 3,5% no Nordeste).

Apesar de uma melhora de 5,4 pontos percentuais em uma década (em 2014, a reprovação era de 17,2% e o abandono, de 10%), os números atuais ainda representam um sério desafio.

Segundo Gustavo Fernandes, as altas taxas de reprovação e evasão estão interligadas a um outro dado alarmante: a distorção idade-série, que indica o atraso na trajetória escolar do estudante. Com uma taxa de 34% no RN, o estado lidera o ranking nacional neste quesito.

Fernandes defende um "acompanhamento severo" nas escolas, especialmente nas regiões mais distantes dos grandes centros, para reverter o quadro. Ele aponta a escassez de professores como um dos principais gargalos da rede. O especialista reitera a necessidade de criar um ambiente escolar que promova motivação e assegure a permanência e o aprendizado do aluno, sendo a presença e o acompanhamento eficaz dos professores um fator primordial. 

"O abandono escolar e a baixa aprendizagem estão diretamente relacionados à prática docente se nós considerarmos que a ausência de professores em sala de aula é muito forte. Sem aulas, os alunos encontram um ambiente escolar pouco atrativo."

Resposta da SEEC (Rede Estadual)

A Secretaria de Estado da Educação (SEEC) reconheceu que os dados atuais "refletem um histórico de abandono e ausência de investimentos estruturantes". Para buscar uma inversão no quadro, a pasta listou um conjunto de iniciativas:

  • Infraestrutura: Reestruturação física das escolas, com investimento superior a R$ 420 milhões em obras de reforma e modernização.
  • Tecnologia: Ampliação da conectividade (internet de alta velocidade) e entrega de novos equipamentos, totalizando mais de R$ 77 milhões.
  • Pedagogia: Implementação de ações de recomposição das aprendizagens e intensificação da Busca Ativa Escolar em parceria com municípios.
  • Formação: Fortalecimento de iniciativas de formação docente e desenvolvimento de políticas que integram inovação e novas metodologias.

A SEEC ressaltou que a superação das desigualdades educacionais exige tempo, continuidade das políticas e ações sistemáticas.

Resposta da UNDIME (Rede Municipal)

Quanto aos índices insatisfatórios no Ensino Fundamental, cuja responsabilidade é majoritariamente dos municípios, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação no RN (Undime/RN) atribuiu o cenário a uma combinação de fatores: desigualdades sociais, lacunas históricas na formação de professores e a ausência prolongada de políticas nacionais de recuperação de aprendizados.

A Undime defende o fortalecimento de medidas como:

  • Expansão da educação integral;
  • Aperfeiçoamento da formação de professores;
  • Recomposição das aprendizagens e avaliações diagnósticas;
  • Gestão educacional estruturada.

A entidade reforça que os municípios têm demonstrado avanço, citando o crescimento de 21.811 novas matrículas no estado (entre os Censos de 2023 e 2024), evidenciando o esforço das redes em reorganizar infraestrutura e práticas.

Confira dados nacionais: 

Taxa de reprovação no Ensino Médio (ano base 2024)

  • RN: 11,8%
  • RJ: 11,2%
  • SC: 10,2%
  • RS: 9,9%
  • PB: 8,5%
  • DF: 8,4%
  • AC: 7,8%
  • AP: 7,5%
  • RR: 7,2%
  • MG: 6,6%
  • AM: 6,3%
  • MS: 5,8%
  • SE: 5,5%
  • AL: 5,3%
  • RO: 5,2%
  • PR: 5,1%
  • BA: 4,9%
  • MA: 4,4%
  • TO: 4,1%
  • MT: 3,5%
  • SP: 3,1%
  • PE: 3%
  • ES: 2,2%
  • GO: 1,9%
  • PI: 1,5%
  • CE: 1,2%
  • PA: 1,1%

Taxa de abandono no Ensino Médio (ano base 2024)

  • RN: 6,8%
  • BA: 5,8%
  • PB: 5,8%
  • MG: 5,2%
  • AC: 4,8%
  • RS: 4,6%
  • RJ: 4,5%
  • SC: 4,1%
  • AM: 4%
  • RO: 4%
  • AL: 3,7%
  • RR: 3,6%
  • AP: 3,5%
  • MA: 3,3%
  • MT: 2,9%
  • DF: 2,7%
  • SP: 2,1%
  • MS: 2%
  • TO: 2%
  • PA: 1,9%
  • CE: 1,8%
  • SE: 1,6%
  • PR: 1,3%
  • GO: 1,2%
  • ES: 1,1%
  • PE: 0,7%

Classificação Indicativa: Livre

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