Cidades

Crime cruel no RN: envenenamento em massa de gatos e cachorro gera revolta e investigação; veja detalhes e imagens do caso e como denunciar

Cedidas
A superpopulação de gatos e a falta de políticas públicas agravam a situação, enquanto moradores pedem investigação rigorosa dos crimes de envenenamento  |   BNews RN - Divulgação Cedidas
Elí Bernardo

por Elí Bernardo

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Publicado em 15/04/2026, às 08h19



A cena se repete de forma brutal e quase invisível: animais encontrados sem vida, moradores em choque e uma sensação coletiva de impotência. Nos últimos dias, uma sequência de envenenamentos em massa de gatos e um cachorro acendeu um alerta grave sobre maus-tratos na Região Metropolitana de Natal — um crime silencioso, mas devastador.

Levantamento feito pelo Portal BNews Natal, após denúncias recebidas pela redação com exclusividade, aponta que mais de 20 animais foram mortos recentemente, elevando ainda mais um histórico preocupante de violência que já se arrasta há pelo menos três anos em uma mesma comunidade.

No Conjunto Alto de Extremoz, relatos indicam que os casos não são isolados. Ao contrário: fazem parte de uma prática recorrente que, na última semana, atingiu um pico dramático.

Foram 22 animais encontrados mortos — sendo 21 gatos e um cachorro — todos com sinais claros de envenenamento. Muitos desses animais não estavam abandonados, mas viviam sob os cuidados de moradores, que garantiam alimentação, água e proteção.

São animais que fazem parte da comunidade, são cuidados, alimentados e respeitados”, relatou a arquiteta Sara Libna à reportagem.
Gato siamês internado após envenenamento - Cedida
Gato siamês internado após envenenamento - Cedida


Dor, revolta e pedidos de justiça

Por trás dos números, há histórias que evidenciam o impacto emocional desse tipo de crime.

A dona de casa Aline Oliveira perdeu quatro gatos ao longo dos últimos anos, dois deles apenas na última semana. Mesmo tentando socorrer os animais, não conseguiu evitar as mortes.

Meus quatro gatos foram envenenados… isso não pode continuar acontecendo”, desabafou.

Já outra moradora, Aparecida, contabiliza sete perdas. Em alguns casos, os animais já eram encontrados sem vida antes mesmo de qualquer tentativa de socorro.

A gente precisa de uma resposta. Isso não pode ficar impune”, afirmou.

Todos os casos foram registrados em boletins de ocorrência, e as tutoras cobram uma investigação rigorosa.

Amendoim, gato da tutora Aparecida - Cedida
Amendoim, gato da tutora Aparecida - Cedida

Superpopulação e a falsa “solução” cruel

Especialistas e protetores apontam que a raiz do problema passa pela superpopulação de animais, especialmente gatos, em áreas urbanas.

Uma única gata pode ter até cinco filhotes a cada três meses, o que, sem políticas públicas de controle, leva ao aumento acelerado da população de animais de rua.

Mas o envenenamento, além de crime, não resolve o problema.

Algumas pessoas tentam resolver isso da pior forma possível: com crueldade. Isso causa sofrimento e não tem eficácia nenhuma”, explicou Sara Libna.

A solução, segundo ela, passa por políticas estruturadas de castração e controle populacional.

Laudos confirmam envenenamento e sofrimento extremo

Relatórios veterinários reforçam a gravidade dos casos. Um dos laudos aponta que um dos gatos chegou à clínica em estado crítico, com sintomas severos como convulsões, espasmos musculares e parada cardiorrespiratória.

Apesar das tentativas de reanimação, o animal não resistiu. O documento técnico confirma: a causa da morte foi compatível com envenenamento.

Laudo médico dos gatos - Cedido
Laudo médico dos gatos - Cedido

Crime previsto em lei e com punições mais duras

Os casos estão sob investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, por meio da delegacia especializada em maus-tratos contra animais.

Além disso, uma nova legislação municipal endureceu as punições para esse tipo de crime em Natal.

Entre as medidas, o agressor passa a ser obrigado a arcar com todos os custos do tratamento do animal, incluindo:

- Consultas e exames veterinários  
- Medicamentos  
- Cirurgias e internações  
- Procedimentos de reabilitação  

Outra mudança relevante é a proibição de que o infrator volte a adotar animais por pelo menos dez anos — podendo esse prazo ser ampliado em caso de reincidência.

O que está por trás dos maus-tratos

A legislação brasileira considera maus-tratos qualquer ação ou omissão que provoque dor, sofrimento ou negligência. Entre os exemplos mais comuns estão:

  • Envenenamento e agressões físicas 
  • Abandono em vias públicas 
  • Falta de alimentação e água 
  • Negligência em cuidados de saúde 
  • Confinamento inadequado  

Uma violência que precisa deixar de ser invisível

O caso expõe uma realidade que muitas vezes passa despercebida: a violência contra animais ainda é tratada como secundária, apesar de seus impactos sociais e emocionais.

Mais do que um problema isolado, trata-se de uma questão de saúde pública, ética e responsabilidade coletiva.

Enquanto os responsáveis não são identificados, moradores seguem convivendo com o medo — e com a dor de perdas que poderiam ser evitadas.

Saiba como denunciar maus-tratos a animais em Natal

Os casos de violência contra animais devem ser denunciados. Além de crime, a omissão contribui para que situações como as registradas recentemente continuem acontecendo. Em Natal, existem diferentes canais para formalizar denúncias — tanto em casos urgentes quanto para registros formais.

- Semurb (Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo): (84) 3616-9829  
  Atendimento de segunda a sexta, das 8h às 14h  

- Polícia Militar: 190  
  Para situações em andamento ou flagrantes  


- Disque Denúncia: 181  
  Canal anônimo para relatar crimes  


- Polícia Civil:  
  Registro pode ser feito presencialmente ou de forma online  

Denunciar é um passo fundamental para interromper ciclos de violência, responsabilizar os autores e proteger outros animais que ainda podem ser vítimas.

Panorama: casos de maus-tratos cresceram em 2025 no RN

Os números reforçam que a violência contra animais não é pontual — ela vem crescendo e exige atenção das autoridades e da sociedade. Em 2025, o Rio Grande do Norte registrou aumento de 9,3% nos casos de maus-tratos em comparação ao ano anterior.

Ao todo, foram contabilizadas 540 ocorrências, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed).

  • 540 casos registrados em 2025 
  • Aumento de 9,3% em relação a 2024 
  • Principais ocorrências: abandono e negligência  

De acordo com a delegada Danielle Filgueira, titular da Delegacia Especializada de Defesa ao Meio Ambiente (DEMATUR) em Natal, grande parte das denúncias envolve situações de abandono e condições inadequadas de criação.

Abandonar um animal é crime de maus-tratos. É necessário que haja o dolo, ou seja, a intenção de abandonar”, explica.

Outro ponto de alerta destacado pela delegada é o perfil dos agressores. Segundo ela, há uma relação recorrente entre a violência contra animais e outros tipos de crimes.

Na maioria dos casos, os agressores de animais também possuem histórico de violência contra pessoas vulneráveis, como mulheres, idosos e crianças”, afirma.

Edição: Dani Oliveira

Classificação Indicativa: Livre

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