Cidades
por Lavínia Manso
Publicado em 27/09/2026, às 10h00
Em meio às formações rochosas e à paisagem do interior do Rio Grande do Norte, um conjunto de torres brancas chama atenção de quem chega ao município de Sítio Novo. É o Castelo de Zé dos Montes, construção erguida entre as pedras da Serra da Tapuia e que se tornou um dos pontos turísticos mais curiosos do Agreste potiguar.
Localizado a cerca de 100 quilômetros de Natal, o castelo começou a ser construído em 1984 por José Antônio Barreto, conhecido como Zé dos Montes. Militar aposentado, ele idealizou uma estrutura marcada por corredores estreitos, passagens que se dividem e mirantes voltados para as serras da região.
Segundo informações divulgadas pelo Governo do Rio Grande do Norte, Zé dos Montes afirmava que a ideia de construir o local surgiu a partir de uma missão divina. A história contada por ele e por familiares é de que teria recebido ainda na infância uma orientação de Nossa Senhora para erguer a construção.
O projeto começou a sair do imaginário de Zé dos Montes em 1984. Diferentemente de castelos históricos construídos há séculos, a atração potiguar nasceu de uma iniciativa particular e foi levantada sem um projeto convencional de arquitetura ou engenharia.
Familiares relataram que pedreiros participaram da execução da obra sob orientação do próprio Zé dos Montes. O resultado foi uma construção de aparência singular, com torres, paredes curvas e uma sequência de corredores estreitos que ajudam a explicar um dos apelidos recebidos pelo local, Castelo do Labirinto.
O castelo foi construído em uma área elevada da Serra da Tapuia, cercada por grandes formações rochosas. A estrutura fica a aproximadamente 400 metros de altitude, proporcionando aos visitantes uma visão panorâmica da paisagem ao redor.
Além da arquitetura incomum, a localização contribui para a impressão causada pelo lugar. Entre pedras, vegetação e serras, as torres claras contrastam com a paisagem do interior potiguar.
Uma das principais características do Castelo de Zé dos Montes está justamente em seu interior. Os visitantes encontram corredores estreitos e bifurcações que atravessam diferentes partes da construção.
De acordo com o Governo do Estado, os caminhos foram projetados de maneira que convergem para a região central do castelo. É nesse espaço que está uma capela, reforçando a ligação entre a construção e a religiosidade de seu idealizador. Na área central foram colocadas imagens religiosas.
Com o passar dos anos, a obra deixou de ser apenas um projeto pessoal e passou a ocupar espaço no turismo da região. O Castelo de Zé dos Montes é citado pela Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur) entre os atrativos do Polo Agreste-Trairi.
A atração também recebeu ao longo dos anos estudantes, trilheiros, romeiros e turistas de diferentes estados e países. O cenário peculiar já foi utilizado até mesmo para ensaios fotográficos e produções de moda.
O próprio Governo do RN inclui o castelo entre os atrativos turísticos do interior potiguar, destacando a construção e os mirantes que permitem observar os vales e as formações naturais da região.
A presença do monumento tornou-se tão ligada à identidade turística de Sítio Novo que documentos oficiais do Estado já o classificaram como um dos principais pontos de visitação do município.
José Antônio Barreto ficou conhecido justamente pelo apelido que acabou dando nome ao castelo. Militar aposentado, dedicou parte da vida às construções que dizia terem sido inspiradas pela experiência religiosa vivida na infância.
Segundo relatos de familiares publicados pela imprensa potiguar, antes da obra de Sítio Novo ele chegou a iniciar outros projetos semelhantes pelo Nordeste, mas foi o castelo erguido na Serra da Tapuia que permaneceu e ganhou notoriedade.
Durante parte da vida, Zé chegou a morar na própria construção. Mais tarde, passou a viver com a família nas proximidades e continuou acompanhando as transformações do local. José Antônio Barreto morreu em julho de 2020, aos 88 anos.
Mesmo após sua morte, o castelo permanece como uma das construções mais peculiares do Rio Grande do Norte. Entre labirintos, torres, religiosidade e a paisagem rochosa da Serra da Tapuia, o lugar mantém viva a história do homem que decidiu erguer um castelo no meio do sertão potiguar.
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