Cidades

Clonazepam em falta e em alta: buscas explodem e escancaram dependência crescente do remédio para transtornos mentais

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O uso crescente do clonazepam e o aumento de afastamentos por Burnout indicam uma crise de saúde mental que precisa de atenção  |   BNews RN - Divulgação TMC
Elí Bernardo

por Elí Bernardo

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Publicado em 19/03/2026, às 13h56



A busca por clonazepam aumentou 650% entre 2004 e 2026, enquanto as pesquisas sobre síndrome de burnout cresceram 290%, segundo dados do Google Trends e do Ministério da Previdência Social, levantando preocupações sobre a automedicação e a saúde mental da população.

O clonazepam, um benzodiazepínico utilizado para tratar transtornos de ansiedade e epilepsia, está em escassez no Brasil desde 2025, refletindo um aumento na demanda por tratamentos relacionados à insônia e ao estresse cotidiano.

A Anvisa alerta para os riscos da automedicação com clonazepam, que requer receita médica, e destaca o aumento de 78% nos afastamentos por transtornos ansiosos nos últimos dez anos, indicando uma crescente necessidade de atenção à saúde mental no país.

Resumo gerado por IA

A procura pelo medicamento clonazepam subiram 650% na série histórica de 2004 a 2026. Os dados são da plataforma Google Trends. A Anvisa alerta para os risco do medicamento para saúde humana, sem a devida orientação médica. No mesmo período, as buscas por tratamento para síndrome de burnout aumentaram 290%, conforme dados do Ministério da Previdência Social.

Mesmo não sendo possível afirmar que há uma relação de causa e efeito, dados do Google Trends analisados pela Sala Digital apontaram para uma correlação entre os dois temas.

O Clonazepam é um benzodiazepínico utilizado para tratar transtornos de ansiedade, crises de pânico, síndromes psicóticas e epilepsia. O remédio está em escassez no Brasil desde o segundo semestre de 2025.

Por causa da escassez do remédio nas farmácias, é esperado que as buscas aumentem, mas o aumento faz parte de um cenário ainda maior. 

Mais do que a busca para comprar o remédio, as pesquisas relacionadas também revelam um anseio de boa parte da população brasileira em lidar com a insônia e a pressão do dia a dia ao longo de mais de 20 anos.

Nas consultas em alta relacionadas à medicação, no Google, há perguntas como:

  • “Para que serve clonazepam?”;
  • “faz dormir?”;
  • “como tomar?”,
  • “quantas gotas para dormir?”;
  • “faz dormir quantas horas?”. 


Esse tipo de pergunta pode apontar que as pessoas buscam por medicalização sem orientação ou acompanhamento médico.

Já sobre o assunto “Síndrome de Burnout”, entre as consultas mais frequentes relacionadas estão dúvidas sobre “o que é burnout”; “quais são os sintomas?”; e testes para detecção da síndrome.

Busca por tratamento conta Burnout

Segundo os dados mais recentes do Ministério da Previdência Social,  os afastamentos por transtornos ansiosos saltaram 78% em dez anos. 

No total, foram de 3.196 afastamentos em 2014 para 5.714 em 2024. Totalizando mais de 40 mil afastamentos em dez anos.

A aceleração nas pesquisas da Síndrome de Burnout e do clonazepam aparece principalmente nos últimos dez anos. 

Busca pelo medicamento clonazepam

O clonazepam, que já tinha o interesse alto em 2016 mais que dobrou, saindo de 40 pontos em 2016 para 100 pontos em 2026. A síndrome que estava em patamares mais emergentes de 5 pontos percentuais em 2016 atingiu 40 pontos em 2016.

Alerta para automedicação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) classifica a droga como um medicamento de controle especial (tarja preta), exigindo receita médica para a compra. 

A bula do medicamento alerta para risco de dependência, tolerância e efeitos colaterais como fadiga excessiva, confusão mental, riscos de queda e diminuição do libido.

Classificação Indicativa: Livre

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