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Chuvas desafiam previsões no RN, mas nova ameaça climática surge no horizonte

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Meteorologistas alertam sobre chuvas no litoral e Agreste do RN até agosto, enquanto El Niño pode afetar temperaturas no segundo semestre  |   BNews RN - Divulgação Foto: Agência Brasil
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 23/06/2026, às 13h23



As chuvas devem continuar no litoral e no Agreste do Rio Grande do Norte até meados de julho e início de agosto, mas a aproximação de um novo episódio do fenômeno El Niño já preocupa meteorologistas devido ao aumento das temperaturas e da sensação térmica previsto para o segundo semestre. O alerta foi feito pelo chefe da unidade de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn), Gilmar Bristot, durante entrevista à rádio Mix FM Natal.

Segundo o especialista, o comportamento das chuvas em 2026 contrariou as projeções iniciais dos modelos climáticos.

“Nós tivemos uma grata surpresa este ano. Não estava tão favorável para chuvas, nem o Atlântico Sul, e nós tivemos chuvas de normal acima do normal em algumas regiões”, afirmou.

A avaliação é que o desempenho das precipitações superou as expectativas especialmente em áreas do Oeste potiguar, beneficiando reservatórios e garantindo uma recuperação importante dos mananciais em diversas regiões do estado.

Acima do esperado

De acordo com Gilmar Bristot, os maiores acumulados foram registrados no Alto Oeste, Vale do Açu, região de Mossoró e Chapada do Apodi. Já no Seridó Oriental, onde estão municípios como Currais Novos e Parelhas, os índices ficaram ligeiramente abaixo da média histórica.

“O Seridó Oriental teve chuvas um pouco abaixo do normal. Mas, nas demais áreas do Seridó, as chuvas ficaram dentro do normal”, explicou. Ele também destacou os reflexos positivos nos reservatórios. “Tivemos boa recarga dos açudes na região do Seridó. Na região Oeste também tivemos boas recargas.”

Enquanto o semiárido potiguar encerra gradualmente seu período chuvoso, as precipitações continuam ocorrendo na faixa leste do estado. Segundo Bristot, o principal sistema responsável pelas chuvas no interior, a Zona de Convergência Intertropical, atua entre fevereiro e maio, o que explica a redução dos volumes nesta época do ano.

Meteorologista Gilmar Bristot (Emparn) - Foto: José Aldenir
Meteorologista Gilmar Bristot (Emparn) - Foto: José Aldenir

Semanas de chuva

Nas regiões litorâneas e no Agreste, o cenário é diferente. A influência das condições do Oceano Atlântico Sul mantém a formação de nuvens e favorece a continuidade das precipitações nas próximas semanas.

“Pelo menos até meados de julho e início de agosto”, respondeu Bristot ao ser questionado sobre a duração das chuvas no litoral potiguar.

O meteorologista ressaltou ainda que junho, tradicionalmente o mês mais chuvoso de Natal, apresentou resultados superiores aos previstos. “A tendência inicial era que tivéssemos chuvas abaixo do normal. E essa condição foi superada, principalmente pela atuação das ondas de convergência. Ela se posicionou bem sobre o Nordeste e fez chuvas um pouquinho acima do normal.”

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El Niño 

Apesar do cenário favorável para as chuvas em 2026, a atenção dos especialistas agora se volta para o Oceano Pacífico. Segundo Bristot, os modelos climáticos indicam a formação de um novo episódio de El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas tropicais equatoriais.

“O El Niño é o aquecimento das águas tropicais equatoriais ao longo do Oceano Pacífico”, explicou. Conforme as projeções, o fenômeno deve atingir seu pico entre setembro e novembro, com anomalias de temperatura variando entre 2,5°C e 3°C.

De acordo com o meteorologista, os efeitos mais sentidos pela população potiguar deverão ser a redução da intensidade dos ventos e o aumento das temperaturas, especialmente na faixa leste do estado.

“O que a gente vai sentir desse impacto do El Niño é uma diminuição do vento e uma maior sensação térmica. Nós teremos um aumento de temperatura, principalmente aqui no setor leste do Estado.”

Risco para as chuvas de 2027

Bristot lembrou que situações semelhantes já provocaram calor intenso no Rio Grande do Norte. “Em setembro de 2024, nós tivemos Caicó com 40 graus durante o mês de setembro”, recordou.

Além dos impactos previstos para este ano, a permanência do fenômeno em 2027 preocupa os especialistas. Segundo ele, há indicativos de que o El Niño continue ativo durante os primeiros meses do próximo ano, interferindo diretamente no principal período chuvoso do Nordeste.

“Há uma tendência de que nós tenhamos o prolongamento desse El Niño, pelo menos até os primeiros três meses de 2027, prejudicando a condição de chuvas no inverno de 2027 aqui no Nordeste”, alertou.

O meteorologista explicou que, embora o fenômeno possa favorecer sistemas associados à pré-estação chuvosa, entre dezembro e fevereiro, sua permanência durante o primeiro semestre tende a reduzir significativamente as precipitações. “Se ele entrar para o período chuvoso, vai prejudicar as chuvas e aí nós teremos condição de pouca chuva.”

Durante a entrevista, Bristot também destacou os investimentos realizados Emparn para modernizar o acompanhamento climático no estado.

“Nós reestruturamos todo o monitoramento do Estado, instalamos 125 estações automáticas com monitoramento remoto”, afirmou.

Segundo ele, o sistema permite a oferta de previsões meteorológicas detalhadas para todos os municípios potiguares por meio do portal da instituição.

Fonte: Agora RN

Classificação Indicativa: Livre

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