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Bloco Mela-Mela expõe risco ambiental; entenda como a folia tradicional de Carnaval pode prejudicar os rios de Guamaré

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Estudos apontam que o melaço utilizado no Carnaval da cidade polui os rios Aratuá e Miassaba, colocando em risco a fauna aquática e a saúde da população  |   BNews RN - Divulgação reprodução internet
Bnews Natal

por Bnews Natal

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Publicado em 06/02/2026, às 11h16 - Atualizado às 11h30



A cidade de Guamaré se prepara para o Carnaval, mas enfrenta uma crise ambiental devido ao uso excessivo de melaço de cana e à falta de esgotamento sanitário, o que gera riscos à saúde pública e à economia local, especialmente para a carcinicultura.

Estudos apontam que o melaço, ao ser levado pelas chuvas, contamina os rios Aratuá e Miassaba, já afetados por esgoto doméstico, resultando em altos níveis de poluição e morte de organismos aquáticos essenciais para a pesca.

Após tentativas frustradas de diálogo com o poder público, empreendedores do setor acionaram o Ministério Público para solicitar medidas emergenciais que restrinjam o uso do melaço e melhorem o tratamento de esgoto, visando proteger o meio ambiente e a saúde da população.

Resumo gerado por IA

A população de Guamaré se prepara para mais um Carnaval marcado pelo chamado “mela-mela”, bloco da Prefeitura. Paralelo a festa, uma crise que vai muito além da folia: o uso indiscriminado de melaço de cana nas ruas da cidade, somado à histórica ausência de esgotamento sanitário eficiente, denunciado pela população e ambientalistas locais.

O tema vem acendendo alertas entre técnicos, produtores, pescadores e órgãos de controle sobre os riscos ambientais, econômicos e de saúde pública que recaem sobre o município.

Segundo blogueiros da cidade laudos técnicos e estudos ambientais apontam que o melaço, ao ser arrastado pelas chuvas e pela lavagem urbana, escoa diretamente para os estuários dos rios Aratuá e Miassaba — ambientes frágeis, essenciais para a pesca, a mariscagem e, sobretudo, para a carcinicultura, uma das principais atividades econômicas de Guamaré. 

Rico em matéria orgânica, o melaço consome rapidamente o oxigênio dissolvido na água durante seu processo de decomposição, criando cenários de hipóxia e anóxia que levam à morte de peixes, camarões e outros organismos aquáticos.

A situação se agrava porque esses rios já recebem, de forma contínua, esgoto doméstico sem tratamento adequado. 

Poluição dos Rios

Análises realizadas em 2025 identificaram níveis de coliformes termotolerantes mais de 100% acima do limite permitido pela legislação ambiental, além de sinais avançados de eutrofização nos rios.

Após sucessivas tentativas de diálogo desde 2024, empreendedores da carcinicultura e entidades representativas relatam ausência de respostas efetivas do poder público municipal.

Com a confirmação de que o uso do melaço seria mantido — e até ampliado — no Carnaval de 2026, o setor decidiu acionar o Ministério Público do Rio Grande do Norte. 

O pedido é que hajam medidas emergenciais para: conter o lançamento de esgoto, restringir o uso do melaço em áreas de drenagem e evitar que a tradição carnavalesca continue colocando em risco a economia local, o meio ambiente e a saúde da população.

Problema recorrente e denunciado pela população

Um mergulhador que atua nos estuários dos rios Aratuá e Miassaba, conhecido como Marujo de  Guamaré,  decidiu no ano passado denunciar o poder público por lançar esgoto doméstico de forma recorrente, sem tratamento eficiente no meio ambiente.

A denuncia apontava possível irregularidade de licenças ambientais e completa ausência de transparência oficial.

Em um dos vídeos publicados nas redes sociais, o mergulhador coleta amostras de água e diz que com georreferenciamento e metodologia declarada, pretende esclarecer a real condição ambiental dos rios que sustentam parte relevante da economia e da vida social de Guamaré. 

O vídeo mostra o mergulhador realizando coletas ao longo de aproximadamente dez quilômetros, incluindo a Boca da Barra, para comparar a qualidade da água em diferentes pontos dos estuários. 

O cenário descrito pelo Marujo é: presença constante de dejetos, coliformes fecais, esgoto “maltratado” e vazamentos que escorrem pelas ruas e chegam diretamente aos rios.

"Há quem diga que a bacia de tratamento, a estação de tratamento, não está funcionando de forma correta, não está coletando os resíduos de forma correta, não está fazendo o tratamento de forma correta", relatou o mergulhador.

Classificação Indicativa: Livre

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