Cidades
O Brasil registrou um aumento significativo nas internações por mordidas de cães, com os casos subindo de 949 em 2020 para 1.361 em 2021, um crescimento de 43,41%, o que levanta preocupações sobre a saúde pública e a necessidade de políticas de prevenção.
Especialistas apontam que o crescimento urbano desordenado, o abandono de animais e a falta de programas de castração e vacinação são fatores que contribuem para o aumento das mordidas, exigindo uma resposta imediata do poder público e da sociedade.
As autoridades recomendam medidas de segurança para evitar ataques, como manter a calma ao encontrar cães soltos, e alertam que tutores de animais podem ser responsabilizados civil e criminalmente por danos causados por seus pets, enfatizando a importância da guarda responsável.
O número de internações provocadas por mordidas de cães aumentou de forma significativa no Brasil nos últimos anos. Dados do Ministério da Saúde, por meio do sistema DataSUS, mostram que as hospitalizações passaram de 949 casos em 2020 para 1.361 no ano passado, um crescimento de 43,41%.
O aumento das ocorrências reforça o alerta para riscos à saúde pública e para a necessidade de políticas de prevenção e de guarda responsável de animais.
No Rio Grande do Norte, um caso recente chamou atenção para a gravidade do problema. Um trabalhador morreu na sexta-feira (6) após ser atacado por um cão da raça pitbull, no conjunto Portal do Sol, em Extremoz, na região metropolitana de Natal.
Trabalhador morreu após ataque de pitbull
De acordo com informações da Polícia Militar, a vítima realizava a limpeza do mato no quintal de uma residência localizada na Rua Marechal Cunha Machado.
A proprietária do imóvel havia colocado o cachorro em um dos quartos da casa para evitar qualquer risco durante o serviço.
No entanto, o animal conseguiu escapar ao pular uma janela, acessou a área externa e atacou o trabalhador.
O homem sofreu ferimentos graves, principalmente na perna direita, e não resistiu.
Crescimento urbano e abandono de animais preocupam especialistas
Para a professora de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Fabiana Volkweis, o aumento dos casos de mordidas de cães mostra a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à prevenção.
Segundo ela, fatores como crescimento urbano desordenado, abandono de animais e falta de programas permanentes de castração e vacinação contribuem para o aumento das ocorrências.
“A situação demanda resposta imediata, tanto do poder público quanto da sociedade. Não se trata apenas de segurança, mas também de saúde pública”, afirma.
A especialista também destaca que a negligência na criação de animais pode gerar impactos para toda a comunidade.
A guarda responsável inclui impedir que o animal tenha acesso livre às ruas, onde fica exposto a atropelamentos, brigas e doenças”, ressalta.
Como agir ao encontrar cães soltos
Saber como reagir diante de um cão em situação potencialmente agressiva pode evitar ataques.
Especialistas recomendam manter a calma e evitar atitudes que possam provocar o animal.
Orientações ao se deparar com cães soltos:
- manter a calma e evitar correr
- não gritar ou fazer movimentos bruscos
- evitar contato visual fixo com o animal
- manter postura firme e recuar lentamente
Caso o cão demonstre agressividade, uma alternativa é utilizar objetos como mochila, bolsa ou qualquer item disponível como barreira física, protegendo áreas mais vulneráveis do corpo.
Regiões que devem ser protegidas:
- mãos
- rosto
- pescoço
O que fazer em caso de mordida:
Mesmo ferimentos considerados leves exigem atenção médica imediata.
A primeira providência recomendada é lavar o local da mordida com água corrente e sabão por vários minutos.
Depois disso, a vítima deve procurar atendimento de saúde para avaliação médica.
Cuidados médicos podem incluir:
- vacina antirrábica
- antibióticos
- acompanhamento clínico
Segundo a professora Fabiana Volkweis, as mordidas podem provocar infecções graves.
Mordidas podem provocar infecções importantes, inclusive doenças como a raiva. Não se deve subestimar o risco, mesmo para o animal que aparenta ser saudável.”
Tutor pode responder civil e criminalmente
A legislação brasileira estabelece que os responsáveis pelos animais respondem pelos danos causados por eles, salvo em situações excepcionais.
Permitir que um cão circule livremente ou mantê-lo em condições inadequadas pode caracterizar negligência.
Em caso de ataque, a vítima pode:
Medidas que podem ser tomadas
- registrar ocorrência policial
- buscar reparação por danos físicos e morais
- denunciar o caso a órgãos de vigilância ambiental
Moradores também podem comunicar situações de risco às autoridades locais, ajudando a prevenir novos episódios e a reforçar ações de fiscalização.
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