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Agricultura familiar domina crédito rural no RN e movimenta mais de R$ 716 milhões

Diógenes Nóbrega/Emater
Agricultura familiar representa 72% do crédito rural no RN, com R$ 716,77 milhões financiados, um crescimento significativo em 2026  |   BNews RN - Divulgação Diógenes Nóbrega/Emater
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 02/09/2026, às 08h21



A agricultura familiar foi responsável por 72% de todo o crédito rural contratado no Rio Grande do Norte nos 12 meses encerrados em julho de 2026, com R$ 716,77 milhões financiados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os dados do Banco Central mostram que o volume destinado aos pequenos produtores cresceu 31% em relação ao ciclo anterior, enquanto o crédito rural total do estado avançou 9%, chegando a aproximadamente R$ 991 milhões.

O desempenho coloca a agricultura familiar em posição de destaque no financiamento da produção rural potiguar. O aumento dos recursos disponíveis amplia a capacidade de investimento dos produtores, favorece a manutenção das pequenas propriedades e contribui para o abastecimento de alimentos.

O crescimento também revela que a procura por financiamento entre os agricultores familiares avançou em ritmo superior ao registrado em outras modalidades. Enquanto linhas destinadas a produtores médios, como o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), apresentaram acomodação, o segmento familiar ampliou sua participação.

Para Marcos Barbosa, Consultor de Negócios Agro da Central Sicredi Nordeste, o cenário também tem relação com a segurança alimentar regional, já que o fortalecimento da produção de pequenas propriedades contribui para a oferta de alimentos.

Crédito ajuda famílias a investir na produção

O acesso aos financiamentos pode ter efeitos que ultrapassam os limites da propriedade rural. Segundo o economista Helder Cavalcanti, decisões relacionadas aos investimentos no campo também interferem diretamente na organização financeira das famílias que dependem da atividade agrícola.

A decisão de financiar uma máquina ou investir em irrigação interfere diretamente na segurança financeira daquelas pessoas”, afirmou.

Isso ocorre porque, na agricultura familiar, as receitas e despesas da produção frequentemente estão associadas ao orçamento doméstico. Dessa forma, recursos destinados à compra de equipamentos, instalação de sistemas de irrigação e melhorias na propriedade podem garantir melhores condições para a continuidade da atividade.

O aumento do crédito também possibilita que os produtores tenham maior capacidade para modernizar processos e enfrentar períodos de dificuldade, especialmente em uma região sujeita a variações climáticas.

Banco do Nordeste amplia acesso aos financiamentos

O Banco do Nordeste aponta a ampliação dos limites de financiamento e a expansão do programa de microfinança rural Agroamigo entre os fatores que contribuíram para o crescimento do crédito destinado aos agricultores familiares.

De acordo com Jeová Lins, superintendente do Banco do Nordeste no Rio Grande do Norte, agricultores regularizados no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) podem contratar até R$ 69 mil por meio do Pronaf B.

O Agroamigo também apresenta índice de inadimplência inferior a 2%, segundo a instituição. O resultado é registrado mesmo diante das dificuldades climáticas enfrentadas pelos produtores do Semiárido.

O agricultor familiar é um bom pagador. Zelar pelo próprio nome é valioso para quem trabalha na terra”, declarou Lins.

Recursos impulsionam modernização no campo

O dinheiro contratado não está concentrado apenas no custeio das atividades tradicionais. Parte dos financiamentos tem sido direcionada à diversificação da produção e à adoção de novas tecnologias no campo.

Uma das modalidades que apresentou crescimento foi o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro), voltado para investimentos em inovação e melhoria dos processos produtivos. A linha registrou alta de 45,4% no período analisado.

Outra modalidade que ganhou espaço foi o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), acompanhando a expansão dos financiamentos destinados a diferentes segmentos da produção rural no estado.

Os números do Banco Central indicam que o crédito para a agricultura familiar avançou de forma mais acelerada que o financiamento rural em geral no Rio Grande do Norte. Com mais recursos disponíveis para custeio, equipamentos, irrigação, inovação e diversificação, o segmento amplia sua participação na economia rural potiguar e fortalece a permanência dos pequenos produtores no campo.

Classificação Indicativa: Livre

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