Zé Galado
Publicado em 10/07/2026, às 06h00 BNews RN
Um famoso secretário da capital potiguar foi assistir ao jogo do Brasil, no domingo, na casa de um cacique local. Entre bebidas e comidinhas, o rapaz só fazia jogar a seleção para baixo. Era uma zica daquelas.
Lá pelas tantas, já com o placar em 2 a 0, a dona da casa levantou-se da varanda e disparou para o moçoilo:
— O senhor é um pé de gelo miserável! Não venha mais!
Foi um constrangimento daqueles. Assim que o árbitro encerrou o desastre, ele pegou a digníssima e saiu de mansinho.
Zé Galado registrou tudo ao lado do cacique.
A turma do “fica, sai, volta”
A novela da semana teve como protagonista Kelps Lima. Depois de semanas batendo de frente com os próprios colegas de nominata, veio a viagem a Brasília, portas fechadas… e, no fim, a desistência da candidatura à Câmara Federal. A pergunta que fica é: se já tava atirando pra todo lado enquanto pré-candidato e agora, vai ativar o modo metralhadora giratória? No União, o silêncio diz mais que qualquer nota oficial.
Pesquisa sob suspeita
Enquanto alguns comemoravam números favoráveis, o Tribunal tratou de apertar o freio. Mais uma pesquisa acabou suspensa por decisão da Justiça Eleitoral, reforçando um recado que anda ecoando nos tribunais: pesquisa eleitoral não pode ser apenas uma fotografia bonita. Precisa obedecer às regras. E, pelo visto, o TSE também deve entrar pesado no debate sobre critérios mais rígidos.
Quem sorri por último…
Tem deputado federal que respirou aliviado com a saída de Kelps da disputa. Alguns nem escondem. Afinal, menos um concorrente significa alguns milhares de votos a mais circulando pelo mercado eleitoral. Agora começa a fase da conquista. Afinal, voto sem dono é igual apartamento na praia: aparece muito comprador.
Coração dividido
O MDB segue sendo um dos partidos mais observados da eleição. Walter Alves já deixou claro o caminho institucional da legenda, mas nos municípios tem prefeito fazendo conta, vereador olhando para um lado, liderança olhando para outro e deputado fingindo que não viu. Na política, fidelidade é um sentimento que costuma durar até a próxima pesquisa.
Sem descanso
Enquanto muitos ainda discutem alianças, há pré-candidato percorrendo municípios todos os dias. O calendário virou prioridade. Quem chega primeiro ganha foto, vídeo, abraço e, principalmente, ocupa o espaço que o adversário deixou vazio. Em campanha, agenda vale tanto quanto discurso.
A matemática da nominata
Tem deputado fazendo conta até em guardanapo. Cada movimento de um pré-candidato muda a projeção da nominata inteira. A desistência de Kelps não foi apenas uma notícia. Foi uma calculadora ligada em vários gabinetes de Brasília e do RN.
Fila de espera
Com a saída de cena de Kelps, começou a disputa silenciosa pelos seus aliados. Tem prefeito recebendo ligação de manhã, de tarde e de noite. O curioso é que alguns dos que hoje oferecem abraço eram os mesmos que torciam pelo isolamento político dele semanas atrás.
Os advogados agradecem
Nunca se entrou com tantas ações envolvendo pesquisas eleitorais antes mesmo do início oficial da campanha. Tem instituto revisando planilha, advogado revisando resolução e candidato revisando o sorriso. Pesquisa hoje já nasce acompanhada de uma petição.
Agenda cheia, caixa-preta vazia
Pré-candidato que passou meses dizendo que ainda havia tempo agora descobriu que o calendário corre mais rápido que o relógio. Tem município recebendo três ou quatro visitas no mesmo dia. Quem demorou para acordar agora tenta recuperar meses em poucas semanas.
Convites e recusas
As agendas de entrevistas estão virando um termômetro da campanha. Tem candidato aceitando qualquer microfone. Outros já começam a escolher onde falar. O problema é que, em eleição, ausência também comunica.
O cafezinho de Brasília
Brasília voltou a ser o destino preferido dos políticos potiguares. Oficialmente, são reuniões partidárias. Extraoficialmente, é hora de resolver pendências, pedir bênçãos, garantir recursos e tentar evitar novas crises. O cafezinho da capital nunca rende tão boas conversas quanto em ano eleitoral.
Todo mundo quer ser novidade
O discurso da renovação virou moda. Quase ninguém quer admitir que faz política há décadas. Tem veterano tentando parecer estreante e estreante tentando parecer experiente. O marketing faz milagres.
A guerra das redes
Enquanto uns brigam na Justiça, outros brigam no algoritmo. Nunca se investiu tanto em produção de conteúdo para Instagram, TikTok e WhatsApp. Hoje, um vídeo de trinta segundos pode provocar mais estrago que um comício inteiro.
O último a saber
Como sempre acontece em ano eleitoral, o único que às vezes descobre a mudança por último é o eleitor. Nos bastidores, alianças nascem pela manhã, mudam à tarde e são desmentidas à noite. Na política, a única certeza continua sendo a próxima surpresa.
Até a próxima… porque em ano eleitoral o cafezinho esfria, mas a fofoca nunca