☰
✕

Política

Wagner Moura critica Bolsonaro em discurso do Globo de Ouro; em vídeo, ator diz que ditadura ainda é “ferida aberta” no Brasil

Em discurso emocionante, o ator afirma que a ditadura militar ainda é uma cicatriz aberta e que o autoritarismo persiste na sociedade brasileira  |  Reprodução internet

Publicado em 12/01/2026, às 08h05   Reprodução internet   BNews Natal

Ler resumo da notícia

Recém-consagrado no Golden Globe Awards, como melhor ator em filme de drama, por sua atuação em O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho,
o ator Wagner Moura fez duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro ao comentar a importância de o cinema nacional seguir retratando a ditadura militar.

Em entrevista concedida após a premiação, o artista afirmou que o autoritarismo segue presente na vida brasileira e que esse passado está longe de ser superado.

A ditadura ainda é uma cicatriz aberta na vida brasileira. Isso aconteceu há apenas 50 anos”, afirmou Moura.

Segundo ele, os últimos anos foram uma demonstração clara de que o país ainda convive com resquícios desse período histórico.

Associação direta entre bolsonarismo e autoritarismo

Ao comentar o cenário político recente, o ator foi direto ao associar o governo Bolsonaro a práticas e valores autoritários.

“De 2018 a 2022, tivemos um presidente de extrema-direita, fascista, que é uma manifestação de ecos da ditadura”, declarou.

Para Moura, essa permanência de ideias autoritárias reforça a urgência de manter o tema vivo na produção cultural brasileira.


Cinema como memória e resistência

Na avaliação do ator, o papel do cinema vai além do entretenimento. Ele defendeu a arte como ferramenta de memória histórica, denúncia e resistência democrática.

A ditadura ainda está muito presente no cotidiano brasileiro. Então temos que continuar fazendo filmes sobre isso”, afirmou, destacando a responsabilidade social do audiovisual na formação crítica da sociedade.

Pontos defendidos por Wagner Moura:
- A ditadura militar ainda impacta a vida política do país
- O autoritarismo reaparece em ciclos históricos
- O cinema tem papel central na preservação da memória
- Produções culturais funcionam como alerta democrático

Projeção internacional e posicionamento político

As declarações ocorrem em um dos momentos de maior visibilidade internacional da carreira de Wagner Moura e do cinema brasileiro.

Conhecido por não evitar embates públicos, o ator voltou a reforçar um posicionamento político explícito, alinhando sua trajetória artística à defesa da democracia e ao combate permanente ao autoritarismo.


Performance do longa brasileiro

Além do prêmio individual de Moura, o longa brasileiro também venceu como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, marcando um ano histórico para o país na premiação. Apesar de perder o troféu de Melhor Filme de Drama para Hamnet, o Brasil encerrou a noite com três indicações e duas vitórias, um recorde para o cinema nacional no Globo de Ouro.

Na disputa, Wagner Moura superou nomes de peso de Hollywood, como Oscar Isaac, Michael B. Jordan, Dwayne Johnson e Jeremy Allen White. Com isso, ele se torna o primeiro brasileiro a vencer na categoria, repetindo o feito histórico alcançado no ano passado por Fernanda Torres, premiada como Melhor Atriz em Drama.

Em O Agente Secreto, Moura interpreta um professor de tecnologia que foge da repressão da ditadura militar em São Paulo e tenta recomeçar a vida no Recife, em 1977 — uma tentativa frustrada, marcada por tensão e perigo. A cerimônia do Globo de Ouro 2026 aconteceu no Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles, e é considerada um dos principais termômetros para o Oscar.

Classificação Indicativa: Livre


TagscinemaDemocraciaBrasilSociedadeculturaProduçãoImpactoDitaduraBolsonaroWagner mouraHistóriaMemóriaResistênciaGlobo de ouroCicatrizExtrema-direitaBolsonarismoFascismoAutoritarismoGolden globe awards