Política
Publicado em 26/01/2026, às 18h25 Reprodução: Internet Jussier Lucas
O jatinho pertencente a um dirigente ligado à J&F, multinacional do setor frigorífico, realizou duas viagens entre Brasília e o Paraná nas mesmas datas em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, esteve no resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no norte paranaense.
A aeronave, um bimotor da fabricante Pilatus, está registrada em nome da empresa Petrus Negócios e Participações, pertencente ao advogado Paulo Humberto Barbosa. Ele mantém sociedade com um dirigente da J&F, grupo controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Desde o início de 2025, o avião tem feito trajetos frequentes entre Ourinhos, no interior de São Paulo — aeródromo mais próximo ao resort — e Goiânia, cidade onde Paulo Humberto reside. Em dezembro de 2025, no entanto, o percurso foi alterado em duas ocasiões para incluir Brasília como origem ou destino.
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Desvio de rota coincidiu com escolta a ministros do STF
Os desvios ocorreram nos dias 19 e 22 de dezembro, datas que coincidem com períodos em que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) designou seguranças para acompanhar ministros do Supremo em Ribeirão Claro, conforme registros administrativos do tribunal.
Levantamento divulgado pela coluna Andreza Matais aponta que o ministro Dias Toffoli esteve no resort Tayayá ao menos sete vezes desde que o empreendimento foi adquirido por Paulo Humberto Barbosa, em abril de 2025. As visitas teriam ocorrido com o suporte de escolta oficial.
Questionado sobre o assunto, Paulo Humberto negou manter qualquer relação pessoal com o ministro. Ele afirmou que já encontrou Dias Toffoli no resort, mas disse não ter “intimidade ou qualquer relação”, acrescentando que apenas o cumprimentou, “como faço com todos os hóspedes”.
Na semana passada, o advogado declarou desconhecer se o ministro possui imóvel no Tayayá. A reportagem do Metrópoles, contudo, esteve no local e apurou que funcionários do resort identificam Dias Toffoli como proprietário do empreendimento.
O ministro do STF foi procurado para comentar as informações, mas não se manifestou até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.