Política
Publicado em 04/12/2025, às 12h48 © Marcelo Camargo/Agência Brasil Giovana Gurgel
O empresário Joesley Batista esteve em Caracas no fim de novembro em uma articulação sigilosa para persuadir Nicolás Maduro a deixar o comando da Venezuela, em meio ao aumento da tensão entre o regime e o governo Donald Trump.
A reunião ocorreu no dia 23, logo após o presidente americano telefonar ao líder venezuelano pedindo sua renúncia, gesto que reacendeu expectativas de uma transição política no país.
Fontes envolvidas nas tratativas afirmam que Joesley agiu por iniciativa própria, embora integrantes do governo dos Estados Unidos tivessem conhecimento prévio da movimentação. A J&F, holding da família Batista, afirmou em nota que o empresário não representa qualquer governo. Nem o Palácio de Miraflores nem a Casa Branca comentaram a visita.
O encontro aconteceu enquanto Washington ampliava a pressão sobre Maduro depois de meses de operações militares contra embarcações suspeitas de integrar rotas do narcotráfico. Trump chegou a declarar que ataques terrestres poderiam ocorrer muito em breve, aumentando o risco de escalada militar.
Nesse contexto de instabilidade, Joesley passou a integrar um grupo de interlocutores que tenta evitar um confronto direto e discute possíveis termos para uma saída negociada. A lista inclui enviados americanos, diplomatas do Catar e investidores do setor petrolífero.
O empresário mantém vínculos antigos com Caracas e Washington. A JBS já assinou contratos bilionários com o governo venezuelano e expandiu sua atuação nos Estados Unidos, onde se tornou uma das maiores empresas de carnes do país. Essa dupla aproximação consolidou Joesley como ponte potencial entre os dois lados.
A visita ocorreu ainda às vésperas de um novo endurecimento da política americana. No dia seguinte, os Estados Unidos classificaram o Cartel de los Soles, supostamente ligado a Maduro, como organização terrorista, intensificando a pressão internacional sobre o regime.
Enquanto Washington reforçava a estratégia de isolamento, outros atores internacionais tentavam costurar alternativas diplomáticas para impedir um agravamento da crise. As discussões envolvem possíveis garantias, cenários de transição e caminhos para evitar uma ruptura violenta.
A movimentação de Joesley, embora não oficial, foi vista por interlocutores como mais uma peça nesse xadrez complexo, que mistura pressões militares, negociações discretas e interesses econômicos.
O silêncio de Caracas e Washington mantém a operação envolta em mistério, ampliando as especulações sobre os próximos passos de Maduro em meio ao cerco crescente.
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