Política
Publicado em 23/05/2026, às 14h15 Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil Ranyere Fonseca
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom em defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6x1, em que o trabalhador cumpre seis dias de serviço para apenas um de descanso. Em entrevista concedida ao programa Sem Censura, da TV Brasil, o chefe do Executivo criticou abertamente as costuras de bastidores que sugerem um período de transição longo ou parcelado para a implementação da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Lula defendeu que a mudança no mercado de trabalho nacional ocorra de forma integral e sem a possibilidade de redução nos vencimentos dos assalariados.
"Nós defendemos que a redução seja de uma vez, de 44 horas para 40 horas. E fim de papo, sem reduzir salário. Obviamente que nós não temos força para aprovar tudo o que a gente quer, então temos que negociar", avaliou o presidente, reconhecendo a necessidade de articulação no Congresso.
A tramitação da proposta entra em uma semana decisiva na Câmara dos Deputados. Uma comissão especial analisa o texto e o parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), deve ser apresentado na próxima segunda-feira (25). A expectativa do governo é que a matéria seja votada no colegiado na quarta-feira (27) e siga para o plenário até o encerramento da semana. A PEC propõe fixar o teto na escala 5x2, assegurando ao menos dois dias de descanso semanal remunerado.
Para o presidente, o texto precisa ir a voto definitivo para expor o posicionamento real de cada parlamentar diante do eleitorado. "Não dá para aceitar ficar quatro anos para fazer, meia hora por ano, uma hora por ano, aí é brincar de fazer redução. Está aí o projeto de lei, vota contra quem quiser, mas vamos mostrar para o povo quem é quem nesse país. O dado concreto é que será um benefício para a saúde, para a educação", disparou Lula. Para alinhar a votação, o presidente agendou uma reunião no início da semana com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Ainda durante a entrevista na TV pública, Lula abordou outras bandeiras da gestão federal. Ele garantiu o empenho do governo em manter a estabilidade e o controle de preços dos combustíveis, exigindo fiscalização rigorosa contra reajustes considerados abusivos nos postos. O petista também aproveitou o espaço para fazer um apelo público ao Senado pela votação célere da PEC da Segurança Pública e antecipou que vetará integralmente o projeto de lei que abre brecha para o envio de mensagens em massa durante o período de campanhas eleitorais.