Política
Publicado em 09/01/2026, às 10h50 Reprodução internet BNews Natal
Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul, segundo diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters.
A formalização do resultado, no entanto, ainda depende do envio das confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil).
A sinalização positiva representa um avanço decisivo após mais de 25 anos de negociações e abre caminho para a assinatura do tratado nos próximos dias.
Apesar do apoio majoritário entre os Estados-membros, o acordo segue cercado por forte resistência de agricultores europeus e de governos como o da França, que manifestaram preocupação com impactos econômicos e ambientais.
Com o aval político do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai. Se concluído, o tratado poderá dar origem à maior área de livre comércio do mundo, conectando os mercados europeu e sul-americano.
O que prevê o acordo UE–Mercosul
De forma geral, o acordo comercial estabelece a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além da criação de regras comuns para o comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Para o Brasil — maior economia do Mercosul — o tratado amplia o acesso a um mercado estimado em 451 milhões de consumidores, com impactos que extrapolam o agronegócio e alcançam diversos setores da indústria nacional.
Mais de duas décadas de negociações
Em discussão desde 1999, o acordo entrou em sua fase decisiva após reunião do Conselho da União Europeia, realizada nesta sexta-feira em Bruxelas. Mesmo diante da oposição declarada de alguns países, a Comissão Europeia conseguiu reunir apoio suficiente entre os 27 Estados-membros.
Para que o tratado avançasse, era necessário o voto favorável de pelo menos 15 países, que juntos representassem 65% da população do bloco — condição que foi alcançada, segundo fontes diplomáticas.
Resistência de agricultores e governos
A aprovação ocorreu apesar da oposição de países como França, Irlanda, Hungria e Polônia. A principal preocupação desses governos está relacionada ao impacto do acordo sobre o setor agrícola europeu.
Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que Paris votaria contra o tratado.
Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE–Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, afirmou em comunicado.
Entre agricultores franceses, o receio é de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e produzidos sob padrões ambientais considerados menos rigorosos do que os exigidos pela União Europeia.
A Irlanda também se posicionou contra o texto. O primeiro-ministro Simon Harris declarou que o país não apoia o acordo “da forma como foi apresentado”, alinhando-se à resistência liderada pela França.
Itália teve papel decisivo
A expectativa em torno do desfecho do acordo ganhou força ao longo da semana após sinais de que a Itália poderia votar favoravelmente. A posição de Roma foi considerada estratégica para destravar a aprovação.
A primeira-ministra Giorgia Meloni condicionou o apoio italiano à adoção de medidas de proteção ao setor agrícola.
Nos últimos dias, a Comissão Europeia propôs acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores, iniciativa classificada por Meloni como um “passo positivo e significativo”.
Na mesma linha, o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, afirmou que a União Europeia passou a discutir o aumento — e não a redução — dos recursos voltados à agricultura italiana no período de 2028 a 2034, reforçando o ambiente político favorável à aprovação do tratado.