Política
Publicado em 02/04/2026, às 08h50 Reprodução internet Redação
As estatais federais iniciaram 2026 com o pior resultado fiscal já registrado para o período. Dados do Banco Central do Brasil apontam um déficit de R$ 4,16 bilhões no primeiro bimestre do ano — o maior da série histórica iniciada em 2002.
O número evidencia uma deterioração significativa das contas dessas empresas e amplia o sinal de alerta sobre a sustentabilidade financeira do setor.
Rombo supera recorde anterior e acende alerta fiscal
O resultado negativo supera com folga o pior desempenho anterior para o mesmo período, registrado em 2024, quando o déficit foi de R$ 1,36 bilhão.
Comparativo do déficit no 1º bimestre:
- 2026: -R$ 4,16 bilhões
- 2024: -R$ 1,36 bilhão (recorde anterior)
O levantamento considera diversas estatais federais, mas exclui grandes instituições financeiras e empresas de peso como:
→ Petrobras
→ Caixa Econômica Federal
→ Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
→ Banco do Brasil
Por outro lado, entram na conta empresas relevantes como:
→ Correios
→ Infraero
→ Serpro
→ Dataprev
Crise nos Correios pesa no resultado
Parte do desempenho negativo está associada à situação financeira dos Correios, uma das principais estatais do país.
A empresa recorreu a um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos, incluindo a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, com foco em capital de giro e financiamento de investimentos.
Situação financeira dos Correios:
- Empréstimo recente: R$ 12 bilhões
- Prejuízo até setembro de 2025: R$ 6 bilhões
- Prejuízo no mesmo período de 2024: R$ 2,1 bilhões
O avanço do prejuízo — praticamente triplicado em um ano — reforça o peso da estatal no resultado agregado.
Setor público também fecha no vermelho
O cenário negativo não se restringe às estatais. Segundo o relatório “Estatísticas Fiscais” do Banco Central, o setor público consolidado também apresentou déficit em fevereiro.
Setor público consolidado:
- Déficit em fevereiro de 2026: R$ 16,4 bilhões
- Déficit acumulado em 12 meses: R$ 52,8 bilhões
Esse indicador reúne União, Estados, municípios e estatais, oferecendo uma visão mais ampla da saúde fiscal do país.
Dívida pública avança e se aproxima de 80% do PIB
Outro dado relevante do relatório é o crescimento da dívida pública. A Dívida Bruta do Governo Geral — que inclui o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social e os entes regionais — atingiu 79,2% do Produto Interno Bruto (PIB), somando R$ 10,2 trilhões.
O patamar elevado reforça a pressão sobre as contas públicas e amplia o desafio do governo em equilibrar receitas e despesas ao longo de 2026.