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Política

RN ainda tem mais de 1 milhão de votos em disputa; entenda a matemática do 2º turno

Allyson Bezerra e Cadu de Lula chegaram ao segundo turno empatados tecnicamente; votos de Álvaro Dias, abstenções, brancos e nulos estão em disputa  |  

Publicado em 11/10/2026, às 06h00      BNews RN

A disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte entra em uma nova fase com um cenário de equilíbrio numérico entre Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT). Os dois candidatos vão se enfrentar no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O equilíbrio se dá diante da diferença de apenas 15.509 votos na primeira votação, considerada quase insignificante. Agora, o foco é outro: mais de 1 milhão de votos ainda em disputa.

As primeiras pesquisas de intenção de voto para governador neste segundo turno já foram registradas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN).  

A matemática dos votos

O BNews RN explica a matemática do segundo turno. Allyson recebeu 733.809 votos, correspondentes a 36,94% dos votos no primeiro turno, enquanto Cadu somou 718.300, o equivalente a 36,16%. Assim, a distância entre os dois foi de apenas 0,78 ponto percentual.

O resultado deixa uma questão central para a nova etapa da campanha: como conquistar eleitores que escolheram outros candidatos, não compareceram às urnas ou não optaram por nenhum dos dois concorrentes que avançaram para o segundo turno?

O primeiro turno registrou 530.580 votos para Álvaro Dias (PL), terceiro colocado na disputa, com 26,71% da votação. Este é o maior contingente de votos válidos destinados a um candidato que não avançou para o segundo turno. Em termos matemáticos, são eleitores que formam uma parcela relevante do universo que as duas campanhas tentam alcançar.

Além deles, mais de 669 mil eleitores do Rio Grande do Norte ficaram fora da escolha de um candidato a governador no primeiro turno das eleições. Ao todo, 488.493 pessoas não compareceram às urnas e outras 181.046 registraram votos brancos ou nulos. Juntos, os números representam 25,2% dos mais de 2,6 milhões de eleitores aptos no estado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Resumindo: somados os votos de Álvaro Dias, os brancos, nulos e as abstenções, chega-se a um universo de 1.200.119 registros eleitorais.

O número ajuda a dimensionar o desafio das campanhas, mas exige uma distinção: enquanto os votos válidos dados a Álvaro podem migrar para qualquer um dos dois candidatos, os votos brancos e nulos não são transferidos e os eleitores ausentes só entrarão na conta se comparecerem no segundo turno.

Os demais candidatos somaram, juntos, aproximadamente 4 mil votos, um contingente numericamente menor diante dos principais grupos considerados na disputa.

Álvaro Dias no centro da equação


Com 530.580 votos, Álvaro Dias passa a ocupar uma posição importante na análise dos cenários do segundo turno. A votação obtida pelo candidato do PL representa mais de um quarto dos votos válidos do primeiro turno, o que torna relevante observar os posicionamentos políticos e as eventuais manifestações de apoio para a nova etapa da eleição.

Álvaro Dias não conseguiu votos suficientes para ir para o segundo turno / Foto: Eli Bernardo

A conversão desses votos, entretanto, não é automática. O eleitor pode seguir a orientação de uma liderança política, escolher um candidato diferente daquele apoiado anteriormente ou até mesmo optar pelo voto branco, nulo ou pela abstenção.

Por isso, mais do que buscar um eventual apoio formal de Álvaro, as duas campanhas terão de apresentar argumentos capazes de dialogar com um eleitorado que já demonstrou preferência por uma terceira candidatura.

Allyson e Cadu: duas trajetórias diferentes

Allyson Bezerra chega à disputa estadual depois de dois mandatos como prefeito de Mossoró e de uma passagem pela Assembleia Legislativa. Engenheiro civil, servidor público federal e com 34 anos, ele foi reeleito prefeito em 2024, com cerca de 78% dos votos válidos do município.

Allyson Bezerra

Durante a campanha ao Governo do RN, Allyson apresentou propostas para áreas como saúde, mobilidade e segurança. Entre as iniciativas defendidas esteve a construção de uma terceira ponte sobre o Rio Potengi, como alternativa para melhorar a mobilidade na Grande Natal. 

A campanha, contudo, foi marcada pelos desdobramentos da Operação Mederi, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos da saúde e contratos de medicamentos. Allyson foi alvo de diligências no âmbito da investigação e nega qualquer irregularidade. O caso integra o contexto político da campanha, mas as suspeitas devem ser tratadas como objeto de investigação, e não como culpa estabelecida.

Cadu de Lula

Cadu de Lula, por sua vez, disputa pela primeira vez uma eleição para o Governo do Estado. Engenheiro e auditor fiscal, Carlos Eduardo Xavier é ligado ao PT e apresentou-se ao eleitorado como representante do campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da continuidade administrativa do grupo liderado pela governadora Fátima Bezerra.

Durante o primeiro turno, Cadu participou de caravanas e encontros sobre agricultura familiar, entrevistas, sabatinas e debates. Sua campanha também buscou associar as propostas estaduais às políticas defendidas pelo governo federal. 

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Classificação Indicativa: Livre


TagsAllyson bezerraEleições 2026Cadu de lula