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Política

Redução de ônibus no segundo turno é denunciada em 27 cidades com 15,5 milhões de eleitores

Levantamento revela que 15,5 milhões de eleitores enfrentaram redução de ônibus no segundo turno das eleições em várias cidades brasileiras  |  Reprodução: Internet

Publicado em 26/10/2026, às 11h30   Reprodução: Internet   Redação

Problemas no transporte público durante o segundo turno das eleições, realizado neste domingo (25), foram denunciados em 27 municípios brasileiros que, juntos, concentram mais de 15,5 milhões de eleitores.

O número corresponde a aproximadamente 9,8% do eleitorado nacional, conforme levantamento divulgado pelo ICL Notícias.

As reclamações envolveram a redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento até os locais de votação.

Em cidades como Salvador e São Paulo, a situação levou a Justiça Eleitoral a determinar a disponibilização de 100% dos veículos previstos para a operação, diante de denúncias de que o serviço estava funcionando abaixo da capacidade habitual.

Lula teve vantagem de 1,1 milhão de votos nas cidades citadas

Os municípios incluídos no levantamento também apresentam diferenças nos resultados da votação do primeiro turno. Nessas 27 cidades, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu cerca de 1,1 milhão de votos a mais que Flávio Bolsonaro (PL).

O candidato petista venceu em 24 dos municípios analisados. Flávio Bolsonaro obteve a maioria dos votos em Guarulhos, em São Paulo, e nas cidades fluminenses de Petrópolis e São Gonçalo.

Os dados permitem dimensionar o eleitorado das localidades onde foram registradas as denúncias, mas não demonstram que as dificuldades no transporte tenham determinado as escolhas dos eleitores ou alterado o resultado eleitoral.

Entre os locais com relatos de problemas estão a capital paulista, Salvador e municípios da Ilha do Marajó, no Pará. Também foram registradas denúncias em cidades do estado do Rio de Janeiro.

Salvador teve denúncia de redução superior a 50% da frota

Na capital baiana, a Justiça Eleitoral determinou que a frota de ônibus prevista para os dias úteis fosse disponibilizada integralmente durante a votação, com gratuidade das passagens.

A medida foi adotada após denúncias de que a circulação de veículos havia sido reduzida em mais de 50%. De acordo com as informações reunidas pelo ICL Notícias, uma fiscalização do Procon da Bahia identificou 55 ônibus em condições de operação parados na garagem da empresa OT Trans.

Para garantir o cumprimento da determinação, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento, direcionada à prefeitura e às empresas de transporte coletivo.

O presidente do tribunal também determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, em decorrência das denúncias sobre a redução da oferta de ônibus durante o pleito.

Justiça exige operação integral dos ônibus em São Paulo

Na capital paulista, a campanha de Lula levou à Justiça Eleitoral uma denúncia de que apenas 60% da frota de ônibus estaria circulando no domingo. Também foram relatadas filas, longos intervalos entre veículos e dificuldades para conseguir transporte em diferentes bairros.

As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo, em coluna assinada pela jornalista Mônica Bergamo.

Diante das reclamações, a Justiça determinou que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans disponibilizassem toda a frota operacional prevista para atender à população durante o segundo turno.

A decisão estabeleceu multa de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans caso a determinação fosse descumprida sem justificativa.

A empresa municipal de transporte informou que cumpriria a ordem judicial, mas apontou dificuldades para mobilizar veículos e trabalhadores em um intervalo reduzido.

Denúncias levantam debate sobre acesso aos locais de votação

Os registros de problemas no transporte público colocaram em discussão as condições oferecidas aos eleitores para chegar às seções eleitorais durante o segundo turno.

A circulação de ônibus é especialmente relevante para pessoas que dependem exclusivamente do transporte coletivo para se deslocar. Em situações de redução da frota, os intervalos maiores e a lotação dos veículos podem dificultar o cumprimento dos horários de votação.

Apesar das denúncias e das decisões judiciais, os dados disponíveis não permitem afirmar que os problemas tenham provocado mudanças no resultado eleitoral. Para estabelecer uma relação entre a oferta de transporte e o comparecimento às urnas, seriam necessárias informações adicionais sobre cada município, incluindo a extensão das interrupções e seus efeitos sobre os eleitores.

O levantamento, portanto, reúne registros de denúncias em localidades que concentram uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro, mas não comprova que as ocorrências tenham alterado o resultado da disputa.

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TagsSegundo turnoEleições 2026Redução da frota