Política
Publicado em 04/10/2026, às 15h00 Foto: Andressa Anholete/Senado Giovana Gurgel
A Polícia Federal (PF) abriu uma apuração preliminar para investigar uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, informou neste domingo (4) o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. O procedimento começou após uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU), motivada por uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre um projeto norte-americano de financiamento a grupos que contestam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Andrei, o caso foi encaminhado à Diretoria de Inteligência da PF e ainda não se tornou um inquérito formal. A declaração foi dada durante entrevista no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), instalado na sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração”, afirmou Andrei.
Segundo ele, apesar de ainda não haver portaria de instauração de inquérito, já existe uma investigação em andamento.
A apuração foi motivada por uma reportagem do The Guardian sobre o projeto “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”. A iniciativa prevê recursos para organizações que denunciam o que classificam como abusos do poder judicial e censura atribuídos ao STF.
De acordo com o jornal, o projeto integra um pacote de US$ 175 milhões, cerca de R$ 918 milhões, do principal fundo de direitos humanos do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Parte dos recursos seria destinada a iniciativas no Brasil e em outros países.
A reportagem também citou a previsão de US$ 40 milhões para um fundo anticomunista, além de recursos para grupos ligados à defesa de sul-africanos brancos e programas de recompensas destinados a aliados ideológicos dos Estados Unidos na Europa.
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A investigação ocorre em meio à preocupação do governo Luiz Inácio Lula da Silva com uma possível interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro. Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, Lula afirmou estar “muito preocupado” com a atuação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, mas ressaltou que, até o momento, trata-se de uma suspeita.
O presidente também mencionou possíveis indícios relacionados ao uso de inteligência artificial e afirmou que Rubio teria proximidade com integrantes do bolsonarismo.
“Por enquanto, é só suspeita”, declarou.
As relações entre o governo dos Estados Unidos e o STF já haviam sido tensionadas pela aplicação de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, em julho de 2025, com base na Lei Magnitsky. As medidas foram posteriormente retiradas pelos EUA, em dezembro.
Durante a mesma entrevista, Andrei Rodrigues negou que exista atualmente um risco concreto de ataques contra as embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália em Brasília. As duas representações haviam suspendido serviços consulares antes das eleições por causa de uma suposta ameaça terrorista.
Segundo o diretor-geral da PF, não há elementos concretos que confirmem a existência da ameaça.
“Não há risco efetivo ou elemento concreto”, afirmou.
A apuração sobre uma eventual interferência estrangeira, por outro lado, segue sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal, enquanto a corporação avalia as informações encaminhadas pela AGU.