Política
Publicado em 19/04/2026, às 09h27 Foto: reprodução Ranyere Fonseca
A pré-campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acendeu o sinal de alerta máximo no Nordeste, região que há duas décadas é o principal pilar de sustentação do PT. Novos levantamentos do Datafolha indicam que a vantagem histórica do atual presidente sobre a oposição está encolhendo, enquanto a rejeição ao seu nome cresce entre o eleitorado nordestino.
De acordo com os números, Lula oscilou negativamente de 63% em dezembro para 60% na pesquisa mais recente. No mesmo período, seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), apresentou um crescimento significativo na região, saltando de 24% para 32%. Embora Lula ainda lidere com folga, a redução da distância preocupa os estrategistas petistas, já que o Nordeste foi o fiel da balança na vitória de 2022.
O dado que mais preocupa o Planalto é a avaliação do governo. O índice de "Ótimo/Bom" no Nordeste despencou de 53% (março de 2023) para 41% atualmente. Em paralelo, a rejeição ao presidente subiu para 32% na região. Mesmo sendo um índice menor que a média nacional (48%), o aumento é visto como um sintoma de desgaste em redutos onde o petismo costumava ser inquestionável.
Para tentar conter essa sangria de votos, Lula intensificou a agenda no Nordeste, tendo visitado estados da região oito vezes apenas neste ano. No entanto, o cenário local nos estados vizinhos também não ajuda: na Bahia e no Ceará, aliados do governo aparecem atrás de nomes da oposição ou de grupos divergentes, como ACM Neto e Ciro Gomes.
Internamente, o PT se divide entre o otimismo de uma recuperação baseada na ligação histórica de Lula com o povo nordestino e o pragmatismo de quem já trabalha com a possibilidade de uma vantagem menor. Para compensar possíveis perdas no Nordeste, a campanha de Fernando Haddad em São Paulo tenta ampliar o desempenho no Sudeste, buscando equilibrar o jogo nacional.
O fato é que, se o "porto seguro" do Nordeste começar a oscilar, a eleição de 2026 se tornará a mais incerta e disputada desde a redemocratização.