Política
Publicado em 20/08/2026, às 17h58 - Atualizado às 21h27 Jussier Lucas Anderson Barbosa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu, na tarde desta quinta-feira (20), uma agenda institucional no Rio Grande do Norte. Foi em Macaíba, na Grande Natal. Lula visitou o Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX) e anunciou: no local será instalado um dos dois supercomputadores previstos no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O equipamento é avaliado em R$ 1,06 bilhão.
"E por que o Rio Grande do Norte? Porque eu acho que a gente precisa olhar para o Brasil, e para os estados que mais necessitam. E nesse instante o Rio Grande do Norte merecia um cafuné no nosso governo", disse o presidente.
O anúncio foi feito ao lado da ministra Luciana Barbosa de Oliveira Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação. A expectativa é que os dois supercomputadores figurem entre os dez mais potentes do mundo, ampliando a capacidade brasileira de processamento de dados e de desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial.
De acordo com o Ministério, R$ 960 milhões serão destinados à aquisição do equipamento e outros R$ 100 milhões às etapas de preparação e operação. O supercomputador terá 7.200 petaflops de desempenho em FP16, mais de 50 mil núcleos de processamento e consumo elétrico estimado em 4 megawatts.
O supercomputador de alto desempenho permite executar, em menor tempo, operações que exigem grande capacidade de processamento. A capacidade computacional também poderá atender a projetos que envolvam enormes bases de dados, contribuindo para o desenvolvimento de novas soluções e ferramentas tecnológicas.
"Os Estados Unidos têm 65% de toda essa coisa de inteligência artificial. A China deve ter uns 15% ou 30%. Mas nem chinês nem americano é melhor do que nós, nós vamos entrar nesse mercado", ressaltou Lula.
“O Rio Grande do Norte responde hoje por mais de 30% da energia eólica do país. Agora, vamos consolidar nossa posição na vanguarda da inteligência artificial. Este equipamento converte nosso estado em um centro estratégico de produção de conhecimento para o Brasil e para o mundo. Desde o anúncio do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, trabalhamos incansavelmente para viabilizar esta infraestrutura”, acrescentou a governadora Fátima Bezerra.
Durante o evento em Macaíba, Lula também relembrou um compromisso que, segundo ele, marcou o início de sua trajetória na Presidência da República: reduzir desigualdades regionais e ampliar a distribuição de recursos públicos pelo país.
Ao recordar seu primeiro mandato, o presidente afirmou que o Nordeste historicamente recebeu menos investimentos e destacou indicadores sociais que, à época, apresentavam resultados mais desfavoráveis na região.
“Qual é a região do Brasil que tem mais pessoas analfabetas? É no Nordeste. Qual era a região do Brasil que tinha mais crianças desnutridas? É no Nordeste. Onde é que estava o maior índice de mortalidade infantil? Era no Nordeste. Onde é que tinha menos jovens na universidade? Era no Nordeste.”
Lula afirmou ainda que passou a defender uma distribuição mais equilibrada dos investimentos entre os estados brasileiros. Segundo ele, o objetivo era fazer com que os recursos chegassem a diferentes regiões do país.
A declaração foi feita no contexto do anúncio do supercomputador para o Rio Grande do Norte, equipamento que, segundo o governo federal, integra a estratégia de ampliação da capacidade brasileira em inteligência artificial.
O objetivo do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial é atender à demanda por grande capacidade de processamento. Essa infraestrutura é necessária para o treinamento de modelos de inteligência artificial, o desenvolvimento de pesquisas complexas e a criação de soluções tecnológicas destinadas ao poder público, às universidades e às empresas brasileiras.
A capacidade de processar grandes volumes de dados em território nacional reduz a dependência de estruturas estrangeiras e amplia o controle brasileiro sobre tecnologias consideradas essenciais.
A soberania digital está diretamente relacionada à capacidade de um país armazenar, processar e proteger dados estratégicos sob suas próprias regras. Também envolve a formação de profissionais, o domínio de tecnologias críticas e a criação de soluções adequadas às necessidades nacionais.
Com uma infraestrutura própria de alto desempenho, o Brasil poderá fortalecer pesquisas em áreas como saúde, energia, meio ambiente, agricultura e serviços públicos. Os supercomputadores também podem reduzir o tempo necessário para análises científicas que exigem cálculos de elevada complexidade.
O projeto busca criar condições para que universidades, centros de pesquisa, órgãos governamentais e empresas desenvolvam tecnologias brasileiras sem depender integralmente de plataformas instaladas no exterior. A iniciativa reforça a inteligência artificial como um instrumento de desenvolvimento econômico e de defesa dos interesses nacionais.
A escolha de Macaíba amplia a presença da infraestrutura científica no Nordeste e contribui para reduzir a concentração dos principais centros tecnológicos nas regiões Sul e Sudeste. O investimento poderá estimular a formação de profissionais especializados, atrair empresas e startups e fortalecer a integração entre universidades, poder público e setor produtivo.
Ao explicar a escolha do Rio Grande do Norte para receber o equipamento, Lula afirmou que outros locais também demonstraram interesse, mas que a decisão levou em consideração a necessidade de ampliar os investimentos para estados que mais precisam de infraestrutura tecnológica.
“São Paulo queria, Campinas queria. E por que eu decidi o Rio Grande do Norte? Porque eu acho que a gente precisa olhar para o Brasil e para os estados que mais necessitam”, declarou.
O presidente também afirmou que a chegada do supercomputador representa uma homenagem ao estado e à governadora Fátima Bezerra.
“Essa vinda desse computador, além de uma homenagem ao povo do Rio Grande do Norte, é uma homenagem pessoal a você”, disse o presidente à governadora.
O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo reúne empresas, centros de pesquisa e instituições voltadas a áreas como saúde, neurociência, energia, tecnologias espaciais e indústria 4.0. A instalação do supercomputador poderá acelerar projetos já desenvolvidos no complexo e consolidar o Rio Grande do Norte como um polo de inteligência artificial.
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