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Política

Nomes de urna de candidatos do RN geram questionamentos do MPE; entenda os casos de Cadu, Samanda e Rodrigo

Ministério Público Eleitoral pede que TRE do Rio Grande do Norte impeça uso de nomes que fazem referência a Lula e Bolsonaro nas eleições  |  Reprodução: Internet

Publicado em 14/08/2026, às 11h10   Reprodução: Internet   Redação

A disputa eleitoral no Rio Grande do Norte ganhou um novo capítulo na Justiça Eleitoral após o Ministério Público Eleitoral (MPE) questionar três nomes de urna que fazem referência direta a figuras políticas de projeção nacional.

O órgão pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) que impeça o uso de “Cadu de Lula” e “Rodrigo Bolsonaro” nas eleições para o Governo do Estado.

A mesma argumentação foi apresentada em relação a “Samanda de Lula”, nome escolhido pela vereadora de Natal Samanda Alves para a disputa por uma vaga no Senado Federal.

Nos três casos, o MPE aponta possibilidade de confusão entre os candidatos e os políticos aos quais os nomes fazem referência.

Os pareceres foram assinados pelo procurador regional eleitoral Fernando Rocha de Andrade. Para o órgão, a utilização de sobrenomes ou expressões associadas a políticos de grande notoriedade, sem existência de vínculo familiar, pode induzir parte do eleitorado a erro e provocar migração de votos.

Processos ainda aguardam decisão

Os pedidos ainda não foram julgados pelo TRE-RN. Conforme informado pela Corte, os processos estão nos gabinetes dos respectivos juízes para análise e ainda não existe previsão para que sejam levados ao julgamento do Pleno.

A tramitação segue as regras estabelecidas pela Resolução TSE nº 23.609/2019, que regulamenta o registro de candidaturas. Antes de uma eventual mudança nos nomes, os candidatos deverão ser chamados a apresentar manifestação.

Caso a Justiça Eleitoral acolha os pedidos do Ministério Público, os nomes registrados poderão ser substituídos por outras opções que estejam de acordo com a legislação.

MPE aponta possibilidade de confusão

A legislação eleitoral permite que candidatos utilizem prenomes, sobrenomes, cognomes, abreviações, apelidos ou denominações pelas quais sejam conhecidos publicamente. Há, porém, uma condição: a escolha não pode gerar dúvida sobre a identidade do candidato.

É justamente nesse ponto que o MPE fundamenta os três questionamentos. A Procuradoria considera que referências diretas a Lula e Jair Bolsonaro podem fazer com que eleitores associem os candidatos a uma relação que não existe.

O órgão também sustenta que esse tipo de associação pode interferir na escolha do eleitor e provocar transferência de votos para candidatos que utilizam as denominações.

Caso de Cadu de Lula

Candidato ao Governo do Estado pela coligação Time que Cuida (PDT/PSB/PT/PC do B/PV), Carlos Eduardo Xavier solicitou o registro de “Cadu de Lula” como nome de urna.

O MPE argumenta que não existe relação familiar entre o candidato e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Procuradoria também afirma que a expressão “Cadu de Lula” não corresponde à forma como Carlos Eduardo é conhecido publicamente.

Segundo o parecer, o candidato utiliza “Cadu Xavier” desde 2019 em registros oficiais e também na imprensa. Por isso, a Procuradoria aponta essa denominação como alternativa caso o pedido para “Cadu de Lula” seja rejeitado.

A campanha de Cadu afirmou que a escolha do nome ocorreu de maneira espontânea e classificou a referência a Lula como um “vínculo de pertencimento”.

“Rodrigo Bolsonaro” também é questionado

Situação semelhante envolve Karlo Rodrigo Lúcio Vieira, candidato ao Governo do RN pelo Agir. Ele solicitou à Justiça Eleitoral o registro do nome “Rodrigo Bolsonaro”.

Na análise do MPE, os documentos apresentados no processo não indicam que o candidato ou seus familiares tenham o sobrenome Bolsonaro. Para a Procuradoria, a utilização da denominação pode criar a impressão de uma ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O órgão considera que essa associação poderia confundir eleitores e favorecer uma eventual migração de votos. Por esse motivo, pediu que o nome de urna seja indeferido e sugeriu “Karlo Rodrigo” como alternativa.

Rodrigo Bolsonaro afirmou que o Ministério Público Eleitoral está apenas “fazendo o seu trabalho” e declarou estar tranquilo em relação ao questionamento.

Samanda de Lula disputa vaga no Senado

O terceiro caso envolve Samanda Alves, vereadora de Natal e candidata ao Senado Federal pelo PT. Ela solicitou o registro de “Samanda de Lula” como nome de urna.

Assim como nos demais processos, o MPE entende que a referência ao presidente da República pode causar associação indevida e confusão entre a candidata e Lula.

A Procuradoria sugere que, caso o nome seja rejeitado, seja utilizado “Samanda Alves”, que corresponde ao nome civil da candidata.

Samanda afirmou que a denominação não foi escolhida com a intenção de sugerir parentesco ou induzir o eleitorado a erro. Segundo ela, o objetivo é deixar explícito “qual projeto Samanda representa”.

TRE-RN ainda vai analisar os pedidos

Os três processos permanecem em tramitação na Justiça Eleitoral e ainda não há decisão definitiva sobre os nomes que poderão aparecer nas urnas.

O julgamento caberá ao TRE-RN. Até que a Corte se manifeste, permanecem em análise as denominações solicitadas pelos candidatos.

Se os pedidos do MPE forem aceitos, os candidatos terão de utilizar nomes alternativos que atendam aos critérios estabelecidos pela legislação eleitoral.


"Rodrigo Bolsonaro" se manifesta sobre o nome escolhido

"O Ministério Público pediu indeferimento na minha candidatura, na eleição de 2022 pediu em vários estados e mais de 46 bolsonaristas foram deferidos. Candidatos de Lula também foram deferidos, colocaram "Lula" também. O Ministério Público faz o papel deles, não tem nenhum problema não. Eu estou muito tranquilo, eu sou o único candidato da direita aqui no estado ao governo. E domingo vamos trabalhar, vamos começar a eleição a governador. Vamos começar normalmente. Abraço a todos, Deus, família e Rio Grande do Norte."

"Eu estou muito tranquilo, eu sou o único candidato da direita aqui no estado ao governo", diz o candidato

Pocisionamento de Samanda Alves 

"'Samanda de Lula' é, antes de tudo, uma escolha de coerência e transparência. É assim que Samanda é chamada por sua trajetória política e pela relação construída há mais de 25 anos com o presidente Lula. Samanda é do PT, preside o partido no Rio Grande do Norte e caminha ao lado do presidente Lula desde a juventude. Seria incoerente esconder essa relação justamente durante uma eleição.

Não há qualquer intenção de sugerir relação familiar ou confundir o eleitor. Ao contrário. O nome expressa uma relação política pública e deixa claro qual projeto Samanda representa e qual compromisso assumirá no Senado. Samanda tem lado e considera mais honesto que o eleitor saiba, inclusive na urna, quem ela é e qual projeto político vai defender em Brasília.

A campanha respeita a manifestação do Ministério Público Eleitoral e vai defender sua escolha perante a Justiça Eleitoral. Qualquer que seja a decisão sobre o nome na urna, a história de Samanda e o seu lado não mudam: Samanda é do PT, caminha ao lado de Lula e seu compromisso é com o povo do Rio Grande do Norte.

Sua trajetória no PT, os anos de militância e dedicação ao Partido dos Trabalhadores, sua caminhada ao lado do presidente Lula e seu compromisso com as lutas do povo. É essa história que “Samanda de Lula” expressa".

Samanda é do PT, preside o partido no Rio Grande do Norte e caminha ao lado do presidente Lula desde a juventude.

Cadu Xavier se pocisiona sobre o nome utilizado em campanha

"O nome “Cadu de Lula” não nasceu em um escritório ou em uma petição: nasceu nas ruas, no abraço da militância e no sentimento do povo do Rio Grande do Norte que, há quase um ano, já nos chama assim.

Quem colocou o “de Lula” ao lado do Cadu foi o eleitor. Cadu é de Lula pelo projeto que defende, pelas bandeiras que carrega e pela história de transformação que une o Time que Cuida do povo, sempre como prioridade. Trata-se de vínculo de coração, de pertencimento.

A nossa defesa jurídica apresentará todos os argumentos técnicos no momento e fórum adequados. Mas a nossa maior defesa já tem sido feita: pelo povo e pelo próprio presidente Lula. Seguimos firmes, ao lado de Lula e da nossa militância."

O nome “Cadu de Lula” não nasceu em um escritório ou em uma petição: nasceu nas ruas", diz o candidato.

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