Política
Publicado em 02/04/2026, às 11h06 Reprodução internet Redação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou a prisão preventiva do empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, apontado como responsável por um esquema de acesso ilegal a dados fiscais de autoridades.
Filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, o empresário é considerado foragido pelas autoridades.
Investigação aponta compra de dados sigilosos
De acordo com a Polícia Federal, Marcelo Conde teria atuado como mandante de uma estrutura voltada à obtenção ilegal de informações fiscais. Segundo os depoimentos colhidos, ele teria:
- Fornecido listas de CPFs de autoridades
- Pago R$ 4,5 mil em dinheiro pelos dados
- Solicitado acesso a declarações fiscais sigilosas
Entre os alvos do esquema estariam ministros do STF, o procurador-geral da República Paulo Gonet e familiares dessas autoridades.
Operação Exfil apura esquema estruturado
A ordem de prisão faz parte da Operação Exfil, deflagrada nesta quarta-feira (1).
A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo ligados ao investigado.
Ação da Polícia Federal:
- 6 mandados de busca e apreensão
- Endereços no RJ e em SP
- Perícia em materiais apreendidos
O objetivo é confirmar a negociação de valores e aprofundar a identificação de outros envolvidos.
Mais de 1.800 pessoas tiveram dados acessados
As investigações indicam que houve acessos indevidos aos sistemas da Receita Federal do Brasil.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, foram acessados dados de 1.819 contribuintes, incluindo:
Perfis atingidos
- Ministros do STF
- Integrantes do TCU
- Deputados federais
- Ex-senadores
- Ex-governador
- Dirigentes de agências reguladoras
- Empresários
Esquema envolvia servidores e intermediários
A apuração também aponta que os dados teriam sido extraídos de sistemas da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
A Polícia Federal identificou uma estrutura organizada, com participação de diferentes agentes:
Estrutura do esquema
- Servidores públicos
- Funcionários terceirizados
- Despachantes
- Intermediários
Moraes autorizou quebra de sigilo e aprofundamento das investigações
Ao autorizar a operação, Alexandre de Moraes destacou a necessidade de reconstruir toda a cadeia de eventos e identificar possíveis novos envolvidos.
Além das buscas, foi determinado:
Medidas autorizadas
- Quebra de sigilo telemático
- Extração forense de dados
- Análise de mensagens entre investigados
Segundo a Polícia Federal, o conteúdo apreendido pode revelar a extensão do esquema e confirmar a repetição das práticas ilegais.
Caso expõe gravidade do vazamento de dados no país
O episódio reforça a preocupação com a segurança de dados sigilosos no Brasil, especialmente quando envolve autoridades de alto escalão.
A investigação segue em andamento e deve avançar a partir da análise dos materiais apreendidos, com foco na responsabilização dos envolvidos e na identificação de toda a rede que operava o esquema.
Significado do nome da Operação da PF
“Exfil” é uma abreviação do termo em inglês exfiltration (exfiltração).
O que significa “exfiltração” no contexto da operação?
No campo da segurança da informação e inteligência, exfiltração é o ato de:
Como isso se aplica à operação
No caso da operação da Polícia Federal, o nome “Exfil” faz referência direta à suspeita de:
Uso comum do termo
O termo é muito utilizado em:
→ Cibersegurança (ataques hackers, vazamento de dados)
→ Inteligência militar (retirada secreta de informações ou pessoas)
→ Investigações criminais envolvendo dados sigilosos
→ “Exfil” = retirada ilegal de dados sensíveis de um sistema