Política
Publicado em 26/07/2026, às 16h42 Foto: MARINA UEZIMA/ O Estadão Ranyere Fonseca
Em passagem pelo Brasil para participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República no estádio do Pacaembu, em São Paulo, o presidente da Argentina, Javier Milei, fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em discurso marcado por tom inflamado, o líder argentino atacou diretamente o ministro Alexandre de Moraes por ter negado o pedido de autorização para que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar.
Durante sua fala, Milei classificou a decisão judicial como arbitrária e citou episódios anteriores para argumentar o que considera ser um tratamento desigual pela Justiça brasileira.
"A 'basura' calva não me permitiu visitar meu amigo injustamente aprisionado, quando sei que Lula se cansou de receber dirigentes do exterior quando estava preso. Entre eles, o desastroso ex-presidente argentino, Alberto Fernández. Isto não é mais que uma clara mostra da injustiça de sua detenção e seu claro caráter vingativo", declarou o presidente argentino.
Ao direcionar sua fala a Jair Bolsonaro, Milei mandou uma mensagem de apoio e projetou um reencontro futuro: "Estimado Jair, te abraço à distância. O que os burocratas hoje estão impedindo, prontamente se fará realidade e nos volveremos a dar um abraço com o querido Jair. Por isso, considero que Flávio é a pessoa que hoje pode parar o Lula", completou.
A presença de Milei no evento faz parte de uma turnê pela América Latina em que o líder busca se consolidar como referência ideológica da direita na região. Além de marcar presença na convenção do PL para reforçar a base do eleitorado conservador ao lado de Flávio Bolsonaro, a agenda de Milei em São Paulo incluiu uma reunião no Palácio dos Bandeirantes com o governador Tarcísio de Freitas, de quem recebeu a Ordem do Ipiranga, a mais alta comenda do estado.
Especialistas em relações internacionais apontam que o movimento de Milei atende também a interesses domésticos. Enfrentando oscilações em sua popularidade e desafios na economia argentina, o presidente busca projetar liderança internacional ao visitar outros países com governos ou candidaturas alinhadas ao seu espectro político, como Peru, Equador e Colômbia.