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Política

“Mãos limpas” domina segundo bloco de debate e troca de acusações eleva temperatura entre candidatos

Debate acontece na sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (CREA-RN), em Natal, e é promovido pelo Grupo Dial Natal  |  Jussier Lucas

Publicado em 02/09/2026, às 21h44   Jussier Lucas   BNews RN

O discurso de “mãos limpas” voltou a dominar o debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte promovido pelo Grupo Dial Natal, nesta quarta-feira (2), em Natal. No segundo bloco, o confronto mais direto ocorreu entre Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT), que trocaram acusações de mentira durante a discussão sobre os índices de segurança pública do Estado.

Allyson contestou a afirmação de Cadu de que o Rio Grande do Norte está entre os estados mais seguros do país. O candidato do União Brasil questionou os números apresentados pelo petista e afirmou que Cadu estaria utilizando informações de forma equivocada. Cadu, por sua vez, recorreu a dados mais recentes para sustentar que houve melhora nos indicadores de segurança pública do Estado.

A discussão sobre os números da violência rapidamente voltou para o campo político e foi acompanhada por referências ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com os candidatos apresentando interpretações diferentes sobre os dados da publicação.

Robério parte para o ataque

O momento mais contundente do bloco, porém, ocorreu quando Professor Robério Paulino (PSOL) direcionou um ataque pessoal a Allyson Bezerra.

Durante o embate, Robério afirmou: “O senhor aqui é um palhaço, um ator, um personagem”, em referência ao candidato do União Brasil.

A declaração elevou ainda mais a temperatura do debate e reforçou o tom de confronto que marcou boa parte da discussão.

Operação Mederi volta ao centro do debate

Outro assunto que reapareceu diversas vezes foi a Operação Mederi, da Polícia Federal, investigação que apura suspeitas relacionadas a licitações e recursos públicos na área da saúde no Rio Grande do Norte. Allyson Bezerra foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação, quando era prefeito de Mossoró.

Cadu fez questão de mencionar a investigação em diferentes momentos do bloco, associando o episódio à atuação de Allyson na Prefeitura de Mossoró.

Robério também citou a operação e fez uma acusação ainda mais direta contra o adversário: “O senhor Allyson foi destinatário de 15% da propina. Foi o que disse a PF”.

A declaração foi feita durante o debate e deve ser compreendida como uma acusação apresentada pelo candidato no confronto eleitoral, não como conclusão judicial sobre responsabilidade criminal.

Educação e saúde ficam em segundo plano

Apesar de o bloco também abordar temas como educação, saúde pública e a escala de trabalho 6x1, os assuntos acabaram perdendo espaço diante da sucessão de ataques entre os candidatos.

O resultado do IDEB e os índices de analfabetismo foram utilizados para questionar a situação da educação no Estado. Na saúde, os candidatos também apresentaram críticas e propostas, enquanto a discussão sobre a escala 6x1 apareceu no debate.

Os temas, no entanto, rapidamente foram deixados de lado à medida que os candidatos voltavam a explorar as acusações relacionadas à segurança pública e à Operação Mederi.

O resultado foi um segundo bloco marcado menos pela apresentação detalhada de propostas e mais pelo confronto entre narrativas. Segurança pública, “mãos limpas” e a investigação da Polícia Federal acabaram ocupando o centro do palco, transformando o debate em um novo capítulo da disputa eleitoral pelo Governo do RN.

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