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Política

Mais de 80% dos brasileiros consideram essencial que candidatos tenham fé em Deus, aponta pesquisa

A pesquisa também identificou uma forte presença da crença religiosa. Cerca de 74% afirmaram acreditar que Deus torna as pessoas melhores  |  Reprodução/Forbes

Publicado em 20/08/2026, às 15h16   Reprodução/Forbes   José Nilton Jr.

Oito em cada dez brasileiros, ou 81% dos entrevistados, consideram essencial que candidatos a cargos políticos tenham fé em Deus, segundo uma pesquisa inédita do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF). O levantamento foi divulgado nesta semana, durante a abertura de um congresso internacional sobre religião, política e valores, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A influência da religião aparece com maior intensidade entre os entrevistados de menor renda. Entre pessoas que recebem até um salário mínimo, 89% consideram essencial que seus candidatos tenham fé em Deus. Entre aqueles com renda de 10 a 20 salários mínimos, o percentual é de 57%.

A pesquisa também identificou uma forte presença da crença religiosa entre os entrevistados. Cerca de 74% afirmaram acreditar que Deus torna as pessoas melhores. Entre aqueles com renda de até um salário mínimo, o índice chega a 86%. Além disso, 82% defendem que escolas ensinem crianças e adolescentes a acreditar em Deus.

Crença religiosa não significa confiança nas igrejas

Apesar da importância atribuída à fé, os dados mostram que essa percepção não se converte necessariamente em elevada confiança nas instituições religiosas. Segundo o levantamento, a Igreja Católica aparece como a instituição religiosa com maior índice de confiança, com 56%, seguida pelas igrejas protestantes, com 51%, e pelos centros kardecistas, com 19%.

A socióloga Christina Vital, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFF, destacou que os resultados também levantam questões sobre a compreensão do conceito de Estado laico. De acordo com a pesquisa, 54% dos entrevistados afirmaram que o Estado não deveria ser laico.

Para a pesquisadora, as respostas indicam diferentes interpretações sobre o significado da laicidade e sobre a relação entre religião e Estado.

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