Política
Publicado em 19/12/2025, às 20h35 Marcelo Camargo/Agência Brasil Jussier Lucas
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, recebeu nesta sexta-feira (19) o prêmio de “Arquiteto da Paz”, concedido pela Sociedade Bolivariana da Venezuela. A homenagem ocorreu durante um ato no Museu Bolivariano, em Caracas, e acontece em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre o regime venezuelano e os Estados Unidos.
Segundo comunicado divulgado pelo governo, a condecoração reconhece o trabalho de Maduro na “preservação da paz na nação e na América Latina”. A medalha foi entregue pelo brigadeiro-general Pompeyo José Torrealba, que destacou o compromisso do presidente com a defesa da soberania nacional.
Durante a cerimônia, Torrealba classificou Maduro como um “lutador” e reiterou o título de “Arquiteto da Paz” ao líder chavista.
Em discurso, Maduro agradeceu a homenagem e afirmou que a paz segue como um objetivo central de sua gestão. “A paz será o meu porto, a paz será a minha glória, a paz será tudo o que desejo e a paz será sempre a nossa vitória”, declarou.
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Premiação ocorre após Nobel concedido à oposição
A cerimônia acontece uma semana após a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo. Uma das principais vozes críticas ao regime chavista, Corina viveu cerca de onze meses na clandestinidade por motivos de segurança.
Ela não conseguiu chegar a tempo à cerimônia oficial realizada no último dia 10, quando sua filha recebeu o prêmio em seu nome. A primeira aparição pública da opositora ocorreu no dia seguinte, após uma longa viagem até a Noruega.
Pressão internacional e tensão com os Estados Unidos
A homenagem a Maduro ocorre em um contexto de aumento da pressão internacional sobre a Venezuela. Os Estados Unidos intensificaram operações militares no Caribe, com envio de aeronaves, veículos, soldados e um grupo de ataque com porta-aviões, sob a justificativa de combate ao narcotráfico.
As ações incluem interceptações de embarcações suspeitas no Caribe e no Oceano Pacífico, embora questionamentos sobre a legalidade dessas operações tenham sido levantados. Além disso, o governo norte-americano acusa o regime de Maduro de manter vínculos com o narcotráfico e com o Cartel de Los Soles.
Segundo a CNN, fontes ligadas ao governo dos EUA afirmam que há estudos sobre um possível cenário pós-Maduro, embora não exista, até o momento, decisão oficial sobre uma intervenção direta.
No fim de novembro, o então presidente Donald Trump conversou por telefone com Maduro. Dias depois, os Estados Unidos classificaram o líder venezuelano como integrante de uma organização terrorista estrangeira. Ainda segundo as informações, Maduro teria recebido um ultimato para deixar o poder, o que não ocorreu.
As tensões aumentaram após a apreensão de um petroleiro próximo à Venezuela, medida classificada pelo regime como “ato de pirataria internacional”. Posteriormente, Trump anunciou um bloqueio total contra navios sancionados do país sul-americano.