Política
Publicado em 14/10/2025, às 12h54 Foto: José Cruz/Agência Brasil Giovana Gurgel
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou a atacar a líder opositora María Corina Machado no último domingo (12), chamando-a de “bruxa demoníaca” durante um ato pelo Dia da Resistência Indígena. A declaração veio dois dias depois de a venezuelana ser anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025.
Maduro afirmou que “noventa por cento da população repudia a bruxa demoníaca da Sayona”, evitando citar o nome de Corina diretamente ou mencionar o prêmio.
O termo “Sayona” faz referência a uma figura do folclore venezuelano descrita como uma mulher de pele clara e cabelos longos e pretos - características associadas à opositora.
“Queremos paz, e teremos paz, mas uma paz com liberdade e soberania”, completou o presidente, em tom de ironia, durante o discurso.
María Corina Machado foi laureada pelo Comitê Norueguês “por sua incansável luta pela democracia na Venezuela”. Em declarações após o anúncio, a opositora dedicou o prêmio “ao povo sofredor da Venezuela” e ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também estava entre os indicados.
Em entrevista à Fox News, concedida no sábado (11), Corina afirmou que Trump “merece” o Nobel, argumentando que “em poucos meses, não apenas se envolveu na resolução de oito guerras, mas suas ações foram decisivas para colocar a Venezuela agora à beira da liberdade”.
A Casa Branca reagiu à decisão do comitê na sexta-feira (10), criticando a escolha. Em nota, o governo norte-americano afirmou que a premiação “demonstra que o comitê coloca a política acima da paz” ao não reconhecer Trump.
Maduro e Corina travam uma disputa política há mais de uma década. A opositora, crítica ferrenha do regime chavista, já foi proibida de exercer cargos públicos e enfrenta restrições impostas pelo governo.
Nos últimos meses, ela se tornou um dos principais rostos da oposição internacional, conquistando apoio de líderes estrangeiros e organizações de direitos humanos. A premiação reforça sua visibilidade global, mas também intensifica o embate com o regime de Maduro.
Enquanto o governo venezuelano tenta deslegitimar o prêmio com ataques pessoais, aliados de Corina veem a escolha do comitê como um reconhecimento à resistência democrática em meio à repressão política no país.
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