☰
✕

Política

Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre corrupção e segurança em debate

No primeiro debate do segundo turno, Lula e Flávio discutem propostas e trocam acusações sobre corrupção e segurança pública  |  Renato Pizzutto/Band

Publicado em 19/10/2026, às 06h14   Renato Pizzutto/Band   Lavínia Manso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), trocaram acusações e defenderam propostas durante o debate da TV Bandeirantes, na noite deste domingo (18). No primeiro confronto direto do segundo turno, os candidatos usaram os três blocos do programa para questionar a trajetória do adversário e apresentar medidas para segurança, saúde e economia, em busca de votos para a eleição de domingo (25).

Entre os episódios de maior tensão, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico, incluindo os de familiares. O presidente apresentou a proposta como uma forma de esclarecer as acusações que marcaram a campanha.

O caso Banco Master também provocou embate. Lula cobrou explicações sobre R$ 134 milhões que, segundo o questionamento feito por ele, estariam associados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio respondeu que os recursos estavam ligados à produção cinematográfica e rebateu com acusações contra o governo petista.

Lulinha e família Bolsonaro entram no confronto

Flávio questionou o presidente sobre o filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e sua relação com a empresária Roberta Luchsinger. O senador abordou investigações relacionadas a suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

Lula afirmou que os inquéritos deveriam seguir seu curso e declarou que não protegeria o filho. Ao responder aos ataques, o presidente também criticou a família do adversário e mencionou a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A relação com o país voltou à discussão quando Lula levantou preocupações sobre interesses em recursos estratégicos brasileiros, como as terras raras. Flávio negou que pretenda comprometer a soberania nacional e disse que suas viagens tiveram o objetivo de defender interesses brasileiros. Ele também citou a cooperação internacional no combate ao narcotráfico.

Flávio propõe maioridade penal aos 14 anos para crimes hediondos

Na segurança pública, Flávio defendeu classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias como organizações narcoterroristas. O candidato apresentou o endurecimento das medidas penais como uma das frentes de enfrentamento ao crime organizado.

O senador também propôs reduzir a maioridade penal para 14 anos nos casos de crimes hediondos, adotar a castração química para condenados por estupro e acabar com a saída temporária de presos.

Lula defendeu ampliar a participação do governo federal no combate à criminalidade e criticou o adversário por não apoiar a proposta de emenda à Constituição do Executivo sobre a coordenação nacional da segurança. Sobre as saídas temporárias, o presidente sustentou a manutenção do benefício para presos do regime semiaberto que cumpram os critérios legais, com restrições para condenados por crimes violentos.

Proposta de “SUS padrão Einstein” gera questionamentos

Flávio prometeu criar um modelo de atendimento que chamou de “SUS padrão Einstein”, em referência ao Hospital Israelita Albert Einstein. Para o Sistema Único de Saúde (SUS), o senador citou a integração de prontuários eletrônicos, a ampliação da telemedicina e o uso de tecnologia no atendimento.

Lula criticou a atuação de Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19, citando a defesa da cloroquina, problemas no acesso às vacinas e as escolhas para o Ministério da Saúde. O presidente relacionou essas decisões às mais de 600 mil mortes mencionadas por ele no debate.

Flávio reconheceu falhas na área durante a gestão do pai e fez uma autocrítica. Na sequência, voltou a atacar o histórico dos governos petistas na segurança pública.

Lula também cobrou explicações sobre como as medidas anunciadas pelo adversário seriam colocadas em prática na rede pública.

Dívidas, salário mínimo e escala 6x1 dividem espaço no debate

Na economia, Flávio defendeu a renegociação de dívidas e a ampliação das oportunidades de trabalho. O senador também propôs criar o Ministério da Prosperidade para coordenar políticas sociais e econômicas.

Lula destacou os programas de transferência de renda, o apoio aos pequenos negócios e a política de aumento do salário mínimo acima da inflação. O presidente ainda mencionou investimentos na indústria e na formação profissional.

A escala de trabalho 6x1 entrou na discussão após Lula cobrar a posição de Flávio sobre mudanças no modelo. O senador afirmou ter revisto seu posicionamento depois de ouvir trabalhadores durante a campanha.

Nas considerações finais, Lula retomou ações e indicadores de suas gestões e criticou medidas ligadas ao grupo adversário. Flávio reforçou as promessas de segurança pública e prosperidade econômica e voltou a atacar o governo petista.

Classificação Indicativa: Livre


TagsLulaFlávio bolsonaroDebate presidencial