Política
Publicado em 27/10/2026, às 12h02 Reprodução: Internet Redação
Corte de Cassação avalia informações enviadas pelo governo brasileiro sobre assistência médica e condições de prisão; defesa da ex-deputada pretende pedir mais prazo para examinar documentos.
A Justiça da Itália retomou nesta terça-feira (27) a análise do pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), condenada no Brasil a cinco anos e três meses de prisão por perseguir um jornalista com uma arma de fogo em São Paulo, em 2022. A audiência ocorreu sem a presença da ex-parlamentar, cuja participação não era obrigatória.
O julgamento está concentrado na Primeira Seção Penal da Corte de Cassação italiana, responsável por examinar se os documentos encaminhados pelo governo brasileiro atendem às exigências legais para a continuidade do processo.
Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão as condições de saúde da ex-deputada e as garantias oferecidas pelo Brasil para o cumprimento da pena.
Itália analisa garantias sobre saúde e condições de prisão
A documentação apresentada pelas autoridades brasileiras busca responder às exigências estabelecidas pela Justiça italiana para avaliar a possibilidade de transferência de Zambelli ao Brasil.
Um dos aspectos centrais é a assistência médica que seria disponibilizada à ex-deputada durante o período de encarceramento. Também estão em análise as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, em Brasília, unidade indicada para o cumprimento da pena.
A avaliação dessas garantias é relevante para a decisão sobre a extradição, uma vez que o procedimento depende do atendimento às exigências legais italianas, inclusive no que diz respeito às condições de custódia no país solicitante.
Defesa de Carla Zambelli quer mais tempo para examinar documentos
A defesa da ex-deputada pretende solicitar um prazo adicional para analisar a documentação encaminhada pelo governo brasileiro.
O pedido poderá ampliar o tempo necessário para a conclusão dessa etapa do processo, dependendo da decisão da Justiça italiana. A análise dos documentos é importante para que os advogados possam avaliar as garantias apresentadas pelas autoridades brasileiras e formular eventuais questionamentos.
A ausência de Zambelli na audiência desta terça-feira, por si só, não impede o andamento do procedimento, já que o comparecimento não era obrigatório.
Outro pedido de extradição já foi rejeitado pela Justiça italiana
A situação jurídica da ex-parlamentar na Itália envolve outro processo, relacionado à condenação no Brasil por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em maio de 2026, a Justiça italiana rejeitou o pedido de extradição referente a esse caso. A decisão, no entanto, diz respeito a um processo distinto daquele que voltou à análise nesta terça-feira.
A nova avaliação envolve a condenação pelo episódio de perseguição armada contra um jornalista em São Paulo. Por isso, o resultado de um procedimento não deve ser automaticamente aplicado ao outro, que possui fundamentos próprios.
Decisão poderá definir os próximos passos da extradição
A análise da Corte de Cassação é uma etapa importante para determinar se o pedido brasileiro poderá avançar. A decisão dependerá da avaliação dos documentos, das garantias apresentadas e dos argumentos que forem admitidos no processo.
Caso a Justiça italiana considere satisfatórias as informações fornecidas pelo Brasil, o procedimento poderá seguir para as próximas etapas previstas na legislação do país europeu. Se identificar insuficiências, a Corte poderá exigir esclarecimentos adicionais ou adotar outra medida processual cabível.
Até a conclusão da análise, não há confirmação de que Carla Zambelli será extraditada. O desfecho do caso dependerá da decisão das autoridades judiciais italianas.