Política
Publicado em 25/07/2026, às 17h30 Imagem: Ricardo Stuckert Mayane Bezerra
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negou os pedidos de visto de entrada no Brasil para dois diplomatas norte-americanos que pretendiam vir ao país às vésperas das eleições presidenciais de 4 de outubro. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (24).
Os diplomatas Riley M. Barnes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos, foram citados pelo jornal The Washington Post como participantes de iniciativas voltadas a questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Segundo a diplomacia brasileira, os dois representantes norte-americanos não desempenhariam o papel de observadores eleitorais nos moldes tradicionalmente aceitos em processos democráticos.
A avaliação do governo brasileiro ocorreu após declarações do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a representantes de cerca de 40 países. Na ocasião, o parlamentar voltou a defender o envio de observadores internacionais e mencionou uma suposta utilização de urnas de origem venezuelana, informação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A iniciativa também repercutiu no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com informações divulgadas, integrantes da Corte classificaram a possível missão diplomática como incomum e avaliaram que ela poderia representar uma tentativa de interferência externa em um tema de competência exclusiva das instituições brasileiras.
Ainda segundo a avaliação dos ministros, caberia ao Tribunal Superior Eleitoral adotar uma resposta formal diante da tentativa de envio da comitiva.
A proposta de enviar os diplomatas ao Brasil partiu do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou que não questiona o funcionamento das urnas eletrônicas, mas defendeu a presença de observadores internacionais para acompanhar a realização das eleições presidenciais.