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Política

Investigações da PF viram pontos de pressão sobre Allyson, Cadu de Lula e Álvaro Dias; entenda as armas

Ainda em andamento, investigações deixam o ambiente policial e passam a fazer parte do confronto político entre os candidatos ao Governo do RN  |  

Publicado em 27/09/2026, às 06h00      BNews RN

A Operação Mederi se transformou em um dos principais pontos de pressão sobre a candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil) na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Para se defender, o ex-prefeito de Mossoró parte para o contra-ataque e revida utilizando-se da mesmas armas: Operações da PF.   

Deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) em janeiro deste ano para investigar suspeitas de desvios de recursos federais da Saúde, a Operação Mederi passou a ser explorada pelos adversários do candidato em debates, na imprensa e também na propaganda eleitoral gratuita exibida em rádios e emissoras de televisão.   

O ex-prefeito de Mossoró está entre os investigados no caso. A condição passou a ser utilizada politicamente pelos adversários durante a campanha, principalmente por Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Robério Paulino (PSOL), que têm cobrado explicações sobre as suspeitas levantadas pela investigação.

O assunto ganhou ainda mais repercussão nesta semana, quando viralizou um vídeo da Operação Mederi, em que coloca Allyson no centro da tempestade. Na gravação analisada pela Polícia Federal, um dos sócios da Dismed explica o que chama de “matemática de Mossoró”.

Para ilustrar, o sócio pega uma ordem de compra de R$ 400 mil e faz uma conta na qual, segundo seu relato, R$ 100 mil seriam destinados a Allyson e a uma mulher identificada como “Fátima”: 15% para o então prefeito e 10% para ela.

“É 10% de Fátima e 15% de Allyson”, afirma o empresário.

O diálogo integra o material da investigação sobre supostas irregularidades em contratos de medicamentos da Prefeitura de Mossoró. A gravação registra a fala dos empresários, mas não mostra Allyson participando da conversa nem, isoladamente, comprova que eventual pagamento tenha sido realizado.

O candidato do União Brasil nega envolvimento nas irregularidades investigadas. A “Fátima” citada na gravação é Maria de Fátima Dantas dos Santos, nomeada assessora de comunicação na gestão de Allyson. 

Dinheiro apreendido na Operação Mederi / Foto: PF

Operação Mederi

A Operação Mederi investiga contratos firmados pelas prefeituras de seis municípios do Oeste potiguar — Mossoró, Tibau, Serra do Mel, Paraú, São Miguel e José da Penha — com empresas do setor de medicamentos. Entre as empresas investigadas estão a Dismed Distribuidora de Medicamentos, a Drogaria Mais Saúde e a Mais Saúde Drogaria.

Segundo os elementos reunidos pela Polícia Federal, o esquema investigado teria envolvido o direcionamento e a execução irregular de contratos financiados com recursos públicos federais destinados aos fundos municipais de Saúde. As apurações também alcançam suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Allyson Bezerra, candidato ao Governo do RN pelo União Brasil

Defesa tentou retirar operação do TRF-5

Em agosto, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) analisou um pedido apresentado pela defesa da Dismed para retirar a Operação Mederi da competência do tribunal e anular elementos produzidos durante a investigação.

O pedido foi indeferido pelo relator, desembargador federal Rogério Fialho Moreira.

Com a decisão, os elementos questionados pela defesa permanecem nos autos e a investigação continua tramitando no âmbito do TRF-5. Entre os elementos preservados estão provas obtidas durante a apuração, incluindo as escutas que registraram diálogos posteriormente utilizados pela Polícia Federal para sustentar parte das suspeitas investigadas.

A decisão judicial, porém, não significa que os investigados tenham sido considerados culpados. O processo permanece em fase de investigação e análise dos elementos reunidos pelos órgãos de controle e pela Polícia Federal.

Mederi vira munição eleitoral

É justamente a permanência da investigação que fez da Mederi um tema recorrente na campanha eleitoral. Nos debates, os adversários de Allyson passaram a utilizar as suspeitas como instrumento de cobrança política, especialmente em relação aos contratos investigados em Mossoró e à menção ao percentual de 15%.

A operação também passou a aparecer na propaganda eleitoral gratuita, ampliando a exposição do caso junto ao eleitorado potiguar.

O cenário cria uma situação em que uma investigação ainda em andamento deixa de ocupar apenas o ambiente policial e judicial e passa a fazer parte diariamente do confronto político entre os candidatos ao Governo do Estado.

De um lado, os adversários de Allyson utilizam os elementos públicos da investigação para cobrar explicações e questionar a atuação do então prefeito de Mossoró. Do outro, o candidato nega as acusações e sustenta que não praticou qualquer irregularidade.

A Operação Mederi, portanto, permanece como um caso ainda sem conclusão judicial, mas com forte impacto político durante a campanha. Enquanto PF, CGU e Justiça analisam os elementos reunidos na investigação, o conteúdo da operação ganhou as ruas, os debates, os meios de comunicação e o horário eleitoral gratuito — tornando-se um dos assuntos mais explorados na disputa pelo comando do Rio Grande do Norte.

Allyson reage e usa operações da PF para contra-atacar adversários

Se a Operação Mederi virou uma das principais armas dos adversários contra Allyson Bezerra, o candidato também tem recorrido à Polícia Federal para responder aos ataques e devolver a ofensiva aos concorrentes.

Cadu de Lula é questionado sobre a Operação Lectus

Sempre que Cadu de Lula (PT) leva a Mederi para o debate, Allyson costuma direcionar imediatamente a resposta para o campo governista, cobrando explicações sobre a Operação Lectus, deflagrada em 2021 pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) para investigar suspeitas de fraudes em licitações e possíveis desvios de recursos federais destinados à Saúde durante a pandemia.

A estratégia se repete nos embates com Álvaro Dias (PL). Quando o ex-prefeito de Natal menciona a Mederi para questionar Allyson, o candidato rebate trazendo para o debate a compra de respiradores realizada durante a gestão de Álvaro à frente da Prefeitura de Natal.

Operação Rebotalho é usada para atacar Álvaro Dias

Nesse caso, Allyson cita a Operação Rebotalho, investigação relacionada à aquisição de 20 ventiladores pulmonares pela Secretaria Municipal de Saúde de Natal em 2020, durante a pandemia de Covid-19.

O movimento transforma a Operação Mederi em uma espécie de gatilho para um duelo de investigações: os adversários usam a apuração envolvendo Mossoró para cobrar explicações de Allyson, enquanto o candidato responde recorrendo a operações da Polícia Federal que atingiram gestões ou grupos políticos ligados aos seus adversários.

Assim, a disputa eleitoral passa a incorporar não apenas propostas para o futuro do Rio Grande do Norte, mas também investigações policiais e episódios relacionados à gestão de recursos públicos durante administrações anteriores.

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