Política
Publicado em 02/12/2025, às 17h53 Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado - Waldemir Barreto/Agência Senado José Nilton Jr.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu cancelar a sabatina de Jorge Messias, indicado por Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF), após constatar que o Palácio do Planalto não enviou a mensagem formal necessária ao Congresso. A sessão estava marcada para o dia 10, mas a ausência do documento, já anunciado e até publicado no Diário Oficial, provocou a interrupção imediata do processo.
Alcolumbre afirmou que a falha do Executivo representa uma omissão grave, algo que, de acordo com ele, não encontra precedentes na relação entre os poderes. O presidente do Senado declarou que o episódio interfere diretamente no cronograma da sabatina, uma prerrogativa do Legislativo que, em suas palavras, não pode ser atropelada.
Para evitar qualquer alegação de irregularidade regimental, o Senado e a Comissão de Constituição e Justiça determinaram o cancelamento completo do calendário que havia sido divulgado. A decisão frustra a expectativa de aliados do governo que contavam com o avanço da análise do nome de Messias.
A disputa se intensificou nos últimos dias, especialmente após Alcolumbre publicar uma nota dizendo ser ofensivo insinuar que sua postura estaria relacionada a negociações por cargos ou emendas. Apesar de Lula ter anunciado Messias como escolha para o STF, a indicação ainda não foi oficialmente formalizada por meio da mensagem presidencial.
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Dentro do Senado, a situação ganhou contornos políticos mais amplos porque Alcolumbre defendia outro nome: o do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco. A ausência da mensagem oficial ampliou o desconforto entre os dois poderes e inflamou discussões internas.
Mesmo sem a formalização, Messias já vinha percorrendo gabinetes nas últimas semanas, conversando com senadores e buscando construir apoio antes da sabatina planejada para o início de dezembro.
Segundo a CNN Brasil, integrantes do governo temem um revés histórico caso a indicação seja votada no clima atual. Diante do risco, o Planalto busca adiar a análise e reorganizar o diálogo com o Senado.
Interlocutores de Lula indicam que o presidente deve procurar Alcolumbre pessoalmente para explicar a escolha e tentar apaziguar o ambiente político. A conversa é vista nos bastidores como um movimento essencial para destravar o processo.