Política
Publicado em 15/12/2025, às 14h00 © Lula Marques/Agência Brasil Giovana Gurgel
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que deixará o comando da pasta no início de 2026, antes do prazo legal de desincompatibilização eleitoral. A declaração foi dada durante entrevista concedida à Folha de S.Paulo, na última sexta-feira (12), em São Paulo.
Segundo Haddad, a saída deve ocorrer “um pouco antes de março”, sinalizando que a decisão já está tomada. Bem-humorado, ao comentar o momento político, chegou a cantar um trecho de marchinha carnavalesca que remete à proximidade de uma virada.
A posição reforça declarações recentes do ministro sobre seu futuro no governo federal. Em entrevista ao jornal O Globo, ele já havia indicado que pretende deixar o cargo para atuar diretamente na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com Haddad, a ideia é contribuir com a coordenação política e a formulação do programa de governo da campanha presidencial. O ministro afirmou que já comunicou essa intenção a Lula, que teria sinalizado respeito à decisão.
Apesar disso, o nome de Haddad segue no centro das articulações eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT). Internamente, a legenda defende que ele dispute o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado Federal em 2026.
O ministro, no entanto, resiste à possibilidade de concorrer a cargos eletivos. Aliados avaliam que apenas um pedido direto do presidente poderia levá-lo a mudar de posição, o que exigiria o afastamento formal do cargo até o início de abril do próximo ano.
À frente do Ministério da Fazenda desde o início do terceiro mandato de Lula, Haddad se consolidou como um dos principais nomes da equipe econômica. Entre as pautas conduzidas estão o novo arcabouço fiscal, a reforma tributária e medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas.
A confirmação da saída antecipada intensifica as discussões sobre sua sucessão. O nome mais cotado para assumir o posto é o do atual secretário-executivo do ministério, Dario Durigan.
A eventual troca no comando da Fazenda ocorre em um momento sensível do governo, com impacto direto sobre a política econômica e sobre a articulação política no último ano do mandato presidencial.
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