Política
Publicado em 07/08/2026, às 05h30 Anna Paula Andrade
A greve dos professores de Natal e dos educadores infantis da Rede Municipal de Ensino começou nesta quinta-feira (6) como um dos primeiros grandes embates entre os servidores da educação municipal de Natal e a gestão do prefeito Paulinho Freire. A paralisação anunciada por tempo indeterminado, aprovada pela categoria em assembleia, teve ato público em frente à Prefeitura de Natal, reunindo professores, educadores e demais trabalhadores da educação em defesa da escola pública.
A greve da educação em Natal é organizada pelo Sinte-RN, Sindicato dos Trabalhadores da Educação, e tem como principal objetivo pressionar a administração municipal a negociar uma pauta que envolve valorização profissional, investimento na rede pública e melhores condições de funcionamento das escolas municipais e dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
Entre as reivindicações dos professores da rede municipal de Natal estão a reposição das perdas salariais acumuladas, estimadas em cerca de 60%, a unificação das carreiras, a isonomia salarial e a concessão de um reajuste de 4,6% para 2026. Segundo a categoria, o percentual representa apenas uma recomposição parcial das perdas sofridas ao longo dos últimos anos.
Além da questão salarial, a greve dos professores de Natal denuncia problemas estruturais que, segundo o sindicato, comprometem a qualidade da educação pública em Natal. A categoria aponta escolas e CMEIs com infraestrutura precária, falta de profissionais, dificuldades no atendimento de estudantes com deficiência, além de mudanças na organização da rede sem diálogo com os trabalhadores da educação.
Outro ponto de tensão entre a categoria e a Prefeitura de Natal é o avanço de políticas consideradas pelo sindicato como formas de precarização da educação municipal. Entre elas estão a ampliação de parcerias público-privadas, a terceirização da merenda escolar, restrições à gestão democrática das escolas e a criação do cargo de educador social voluntário.
Nos dias que antecederam a paralisação, dirigentes sindicais realizaram visitas técnicas a unidades da Rede Municipal de Natal após denúncias apresentadas por pais, estudantes e servidores. As vistorias identificaram problemas estruturais nas escolas municipais José Sotero, em Igapó; Nossa Senhora dos Navegantes, na Redinha; José do Patrocínio, no Potengi; além do CMEI Professora Terezinha de Jesus, no conjunto Santarém.
Com a greve da educação em Natal, a situação da educação municipal passa a ocupar o centro do debate político na capital potiguar. A mobilização amplia a pressão sobre a gestão municipal de Natal, que agora enfrenta o desafio de responder às reivindicações dos professores, apresentar soluções para os problemas da rede municipal e evitar o prolongamento da paralisação, que pode afetar milhares de estudantes da educação pública de Natal.