Política
Publicado em 19/10/2026, às 09h03 Renato Pizzutto/Band Lavínia Manso
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), ensaiou com sua equipe os gestos e as movimentações que fez atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), durante o debate da TV Bandeirantes neste domingo (18). A preparação buscava gerar imagens de confronto para divulgação nas redes sociais durante a disputa pelo segundo turno.
Enquanto Lula respondia às perguntas e se dirigia aos telespectadores, Flávio circulava atrás do adversário, balançava a cabeça e fazia expressões de discordância. Aliados começaram a distribuir vídeos dessas reações por mensagens e plataformas digitais ainda durante a transmissão.
A intenção também era deslocar a atenção dos espectadores das declarações do presidente para o comportamento do senador.
Leia também:
A preparação envolveu o marqueteiro Duda Lima e outros integrantes da campanha. Ao longo da semana, Flávio participou de simulações de perguntas e respostas com controle do tempo disponível para cada intervenção.
No domingo, Pablo Marçal e o deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, participaram dos exercícios. Os dois também acompanharam o candidato nos estúdios da emissora.
O debate ocorreu a uma semana da votação e permitiu que os adversários circulassem pelo espaço, fizessem perguntas entre si e respondessem à bancada. Para o primeiro turno, quando Lula não participou dos encontros, a equipe de Flávio havia planejado explorar a ausência com perguntas direcionadas ao púlpito vazio.
Um dos exemplos da estratégia apareceu na discussão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Flávio afirmou ter convidado Claudio Lottenberg para assumir o Ministério da Saúde e defendeu levar à rede pública um padrão de atendimento semelhante ao do Hospital Israelita Albert Einstein.
Lula reagiu afirmando que a proposta significaria privatizar o SUS. Mesmo depois de concluir sua intervenção, o senador permaneceu atrás do presidente e movimentou o dedo indicador para demonstrar discordância.
A campanha também viu potencial de repercussão em um trecho que interpretou como uma declaração de Lula chamando os cariocas de “malandros”. Vídeos circularam minutos depois, com a expectativa dos aliados de Flávio de prejudicar a conquista de votos pelo petista no Rio de Janeiro.
Com informações de O Globo